Noir (1)

O copo sobre a mesa tinha apenas algumas pedras de gelo. O whisky barato já tinha se acabado há tempos. Os olhos cansados tentavam se fechar, e ele lutava para se manter acordado.

Olhou para o outro lado, vendo a grande janela aberta, e as luzes da cidade. Em pouco tempo, a lua desapareceria, as luzes se apagariam, e o sol nasceria de novo.

Olhou para o retrato na mesa a sua frente. Os olhos dela eram grandes, expressivos, brilhantes. Ela chamaria a atenção em qualquer lugar. Se vestia bem, tinha um corpo voluptuoso, quase uma diva.

Mas o brilho daqueles olhos haviam se apagado. Por suas mãos.

Ligou para a recepção do hotel, e pediu outra garrafa do whisky barato. Queria esquecer daquela noite. Daqueles olhos.

O desejo da primeira noite, o pânico na última. Os grandes olhos marejados de lágrimas, que pediam “Não deixe que me peguem!”.

Tornou para o maço de cigarros, tirou um, acendeu, tragou com força.

“O que não somos capazes de fazer, por amor?” Pensou.

O camareiro chegou com seu whisky. Pagou-lhe uma pequena gorjeta e voltou à cadeira. Encheu o copo.

A noite havia chegado àquele momento mais negro, antes do amanhecer.

Virou o copo. Olhou novamente a foto.

Um pensamento começou a crescer em sua mente. Um sorriso começou a se delinear em seu rosto.

“Estaremos juntos outra vez, meu amor…”

O sol nascia. Havia muito o que fazer.

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