Eu sou o 0,1%

Tornou-se popular circular pela internet mensagens e imagens das manifestações mundiais que clamam “We are the 99%”. Como forma de destacar os problemas de distribuição de renda causados pelo capitalismo descontrolado (e desenfreado) mundial diversos grupos manifestam-se em partes do mundo contra o 1% da população detentora de todos os privilégios.

Afinal de contas, quem faz parte dos 99%? Segundo eles mesmos são aqueles que precisam escolher entre pagar o aluguel ou fazer compras, aqueles à quem é negado o acesso a um sistema de saúde de qualidade, todos aqueles que não recebem a partir de U$506.000 por ano para fazer parte do 1% oposto desta história.

Esse “99%” revoltou-se – ok, talvez não TODOS eles, mas vocês estão acompanhando o contexto, certo? – foram às ruas, em 17 de setembro de 2011 inicia-se o movimento Occupy, com apenas cerca de 200 manifestantes ocupando o símbolo máximo do capitalismo, Wall Street. Pois bem, o governo reagiu com seu braço executor mais querido e mandou a polícia lá para detenções e para temperar a ordem com gás de pimenta, nada de muito novo.

Ficou um pouco difícil definir, durante todo o período, qual exatamente o objetivo do movimento, nenhuma “plaquinha” dizia o que eles querem. Tratam-se de diversos segmentos juntos insatisfeitos com os rumos da economia mundial e da política dos seus países, então você pode encontrar uma imagem solicitando uma investigação do evento de 11 de setembro e outra sobre os impostos, uma sobre o sistema bancário e outra sobre a mídia. Mas estão todos lá, deixando bem claro que são contra os bancos, contra o sistema financeiro global, contra as grandes corporações.

Exatamente isso que tornou possível ao movimento expandir tanto , conseguir unir liberais e comunistas, aposentados e desempregados, analfabetos e acadêmicos, pingüins e ornitorrincos em um dia de protestos – 15 de outubro de 2011 – com eventos em 951 cidades de 82 países. Convenhamos, não é todos os dias que Israel, Costa Rica, EUA, Bosnia Herzegovina e Brasil estão fazendo a mesma coisa! Assim o movimento se espalhou, conhecido por muitos, apoiados por muitos, todos juntos sem dizer qual mudança deve ser feita mas todos sabendo o tanto que elas são necessárias. Isso aí pessoal!

Talvez um tanto liberais demais pra mim mas ainda assim não nego meu apoio – levar uns bofetões da polícia por uma luta por mais igualdade conquista meu coração inevitavelmente. Mas agora tenho a minha confissão pessoal a fazer: sou parte de um grupo ainda mais seleto que o 1% que detém as riquezas. Sou o 0,1%.

Ainda não fui capaz de definir se somos o grupo mais privilegiado e felizardo nessa insanidade de vida, mas considerando o quanto os 99% estão insatisfeitos, como é difícil viver nesse mundinho globalizado e como as fraldas são caras – é, não tem muita vantagem em ser essa minoria. O anticoncepcional evita gravidez em 99,9% dos casos. No meu, não. Agora vou ser mãe de um pobre coitado, parte milagre parte zica, no berço dos 99% e no seio do 0,1%.

E esse foi apenas o começo, ainda há muito para contar após substituir a pílula pelo prozac…
Alguém afim de ocupar por mim???

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