Noir (2)

O som dos tiros havia parado, agora. O cano da arma ainda estava quente, assim como o sangue que vertia dos buracos abertos em seu corpo.

Uma trilha de corpos estava atrás dele. Sangue pelas paredes. Pelo chão. Em seu rosto. Em suas mãos.

Cada um deles.

O ultimo deles estava do outro lado. Não o responsável, esse já tinha morrido com uma bala em cada olho.

Como que para apagar a lembrança dos olhos dela.

“Em breve, meu amor”, pensou.

Apenas uma bala no tambor, e a visão já se turvava.

“MUITO em breve…”

Respirou fundo, engolindo sangue.

Seguiu por um pequeno corredor que o atirador não desconfiava.

Voltou a ouvir os tiros.

“Continue atirando, continue.”

Fazia força pra manter os olhos abertos, as pernas falhavam.

Viu a porta estraçalhada. O atirador disparava sem se dar conta de sua presença.

O disparo foi simples, sem floreios, sem aviso. Levantou o braço e puxou o gatilho.

Estava quase no fim.

Sentou-se, a visão escurecia. A camisa branca estava tingida de vermelho. Seu corpo estava tingido de vermelho.

Ironicamente, era a cor preferida dela.

Tirou o pequeno controle do bolso.

Apenas um pequeno botão.

“Me espere para o jantar, amor…” 

Apertou o botão.

Tudo ficou claro.

“Aí está você, meu amor…”

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