Freud, Jung e “Um Método Perigoso”

Desde que fiquei sabendo sobre esse filme, já imaginei mil coisas… Não apenas detalhes técnicos, efeitos, maquiagem, figurino, etc. Mas especialmente, quanto à interpretação desses dois personagens tão incríveis da história, Freud e Jung.

Desde que comecei a gostar de Psicologia, os nomes de ambos sempre foram referência. Estudar suas obras é algo quase obrigatório, pra quem quer entender um pouco mais sobre o ser humano e sobre SER humano. Freud abriu portas, janelas, alçapões e portinholas da mente. Jung mostrou que dava pra fazer um puxadinho nos cômodos😛. Brincadeiras à parte, são duas mentes brilhantes, que abriram todo o caminho que a Psicologia moderna traçou. Claro que há pontos falhos nas teorias de ambos (na de Freud, muito mais, como se sabe hoje), mas nada apaga o pioneirismo de ambos. Claro que muito mais de Freud, que foi quase um “tutor” de Jung, mas ambos começaram tudo o que sabemos hoje.

Sou apaixonado por Jung e sua teoria, já li inclusive sua biografia “Memórias, Sonhos e Reflexões”. A visão mais abrangente e a inclusão de toda a vivência do ser humano, não apenas sua frustração sexual, sempre me foi mais crível do que a visão Freudiana de “tudo leva ao sexo”.  Se continuar falando sobre isso, vou fugir do tema.

A questão é que são duas figuras históricas, internacionalmente conhecidas, e fazer uma estória que não tivesse o devido conteúdo e respeito à história de ambos, teríamos apenas um filme que aborda o que é a psico-análise (como Freud gosta de dizer). Mas o filme consegue ir além.

O Rei Aragorn Viggo Mortensen consegue (ainda que seja um coadjuvante) roubar a cena, cada vez que aparece. Só posso dizer que você consegue crer que é FREUD, de verdade, ali. Ainda que não haja tanta semelhança física entre Freud e Viggo Mortensen, você consegue crer que aquele É o tal “Pai da Psicanálise”. Pra quem leu algum dos livros de Freud, consegue até mesmo identificar sua forma de discorrer sobre certos assuntos. E seu onipresente charuto, companheiro em todas as cenas.

“This is Anduril, the sword of… / Wait, it is a falic symbol, that sword of yours…”

Eu já tinha me tornado fã de Magneto Michael Fassbender desde sua atuação em “X-Men: First Class”, e sua atuação como Jung não me decepcionou nem um pouco. Ele é mais parecido com Jung, fisicamente. Mas sua atuação ultrapassa qualquer semelhança física. Ele consegue dar dimensão para aquele homem, mostrando-o como homem. Jung era um gênio, mas o filme, a atuação, fazem você sentir o que ele sentia… A angústia, fosse por desejo, fosse pelo medo (ao fim do filme, não vou fazer spoilers). Só me chateou não terem mencionado toda a “individuação” de Jung, a construção de Bolingen, mas só isso já daria outro filme… (David Cronenberg, anota aí!)

“Os arquétipos estão presentes no inconsci… / Eu vou destruir os humanos!”

O diretor David Cronenberg consegue captar o que é mais importante, acima de tudo: ambos são seres humanos. Que descobriram algo muito maior que eles mesmos, mas são, acima de tudo humanos, e assim, providos de sentimentos, desejos, necessidades. E que tem que lutar, cada um à sua forma: no caso de Jung, contra seus desejos, no de Freud, contra sua própria idealização limitada (freudianos atiram pedras no Tio Edu, nesse momento).

Quando contracenam, é de arrepiar. Pra mim, uma das cenas mais brilhantes do filme é quando ambos estão num navio, à caminho da América, para um congresso. Jung conta um de seus sonhos, Freud o interpreta. Quando Jung pede para que Freud conte um dos seus, ele retruca: “Não quero perder minha autoridade”.

Elizabeth Swann Keira Knightley também está fantástica (e paga peitinho várias vezes). As cenas iniciais, com ela tendo ataques histéricos, e a progressiva melhora, bem como tudo o mais que acontece com a personagem (Sabina Spielrein), são interpretados maravilhosamente bem.

“He spanked me!”

Vale ainda o comentário sobre o marido da Monica Bellucci Vincent Cassel, interpretando Otto Gross, um médico que foi paciente de Freud, e que quase leva Jung à loucura.

“Jung, meu brother, toma mais uma aí…”

Se não sair UM Oscar de atuação pra um deles, a Academia é uma farsa (ou seja, não vai sair Oscar pra eles :P).

Só posso dizer: é um GRANDE filme. Diria até obrigatório, mas como boa parte das pessoas hoje em dia prefere NÃO usar o cérebro, não adianta muito.

Acompanha o trailer, pra quem quer ter mais um gostinho…

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