Nos reinos das fantasias

Há quem diga por aí que “devemos encarar e enfrentar os problemas de frente, ou jamais nos tornaremos pessoas de caráter ou dignas”, ainda mais num mundo como o de hoje em que somos cobrados o tempo todo.

É um tal de provar pra Deus, pro Diabo, pro mundo, pra puta que pariu e seja lá pra mais quem; que somos respeitáveis por cumprir horários, deveres, o que se espera de nós, enfim. O poeta já disse certa vez “vou-me embora pra Pasárgada/ Lá sou amigo do rei / Lá tenho a mulher que eu quero / Na cama que escolherei”.

Quando eu era mais novo lá nos idos dos anos 80, eu não poderia simplesmente mandar todos à puta que pariu. Primeiro porque nem tinha estrutura psicológica e consciência do que eu era e do eu queria para mim. Segundo porque, no meu tempo de criança e adolescente, desrespeitar uma autoridade (fossem elas paterna, materna, docente, etc.) não renderiam bons resultados.

Ir-me embora pra Pasárgada, por exemplo? HAHAHHAHA “A porta da rua é serventia da casa” – já dizia minha mãe ao notar um arzinho de discordância, protesto e revolta típica da pré-adolescência. Entretanto, precisava de uma Pasárgada. Aliás, até hoje, na fase adulta, de vez em quando, uma Pasárgada é sempre bem-vinda. E porque não achá-la na literatura?

Alguns personagens clássicos da literatura, do folclore, das lendas estiveram em várias “Pasárgadas”. Uma das mais encantadoras vem da Alemanha. Escrito em 1979por Michael Ende, “A História sem Fim” (Die Unendliche Geschichte) nos conta a trajetória do garoto Bastian Bux. Humilhado e perseguido na escola, Bastian se aventura num mundo de fantasia conforme avança a leitura do livro que o transporta pro reino estranho em que as fantasias dos humanos se encontram.A História sem fim

Diferentemente de Bastian que estava de olhos bem abertos e acordados, a pequena Alice de “Alice no país das maravilhas”; obra escrita em 1865 por Lewis Carroll; entra num reino mágico através do sonho. O mesmo vai acontecer com Dorothy de “O mágico de Oz”, livro publicado em 1900 por L. Frank Baum. Dentro dos reinos de fantasia, Alice e Dorothy precisam achar um jeito de retornarem às suas casas. Sendo assim, acabam lutando e enfrentando diversas situações que, se os compararmos aos dramas e realidades da vida, não há como fugir deles.

Portanto, amigos, mesmo que estejamos em uma “Pasárgada” a fim de fugir da realidade opressora e sem graça, não há saída: uma hora teremos de enfrentar os problemas da vida, exatamente como dizia o velho ditado. Porém, quanto a ser digno e ter caráter reto, se é que posso plagiar o “História sem fim”, isso é uma outra história…

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