O buraco é mais embaixo

Que existe preconceito em uma sociedade, nem de longe é novidade. Para muitos, preconceito é questão de opinião. Há quem acredite que temos o direito de gostar e de não gostar de quem quisermos, seja por que motivos forem. Sendo assim, de acordo com as pessoas que defendem o ponto de vista citado, se não queremos contato com pessoas de determinado estereótipo e biótipo não temos obrigação de conviver com elas. Todavia, devemos respeitá-las, pois, elas, assim como nós, também têm o direito de gostar e não gostar de quem quer que seja, baseando-se em qualquer critério que lhes venham à mente.

Essa semana a questão do preconceito racial entrou na mídia novamente em relação à distribuição de cotas em Universidades. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nessa semana, em 26 de abril de 2012, que o sistema de cotas raciais seria considerado válido e constitucional.  Para o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, “O preconceito é histórico. Quem não sofre preconceito de cor já leva uma enorme vantagem, significa desfrutar de uma situação favorecida negada a outros.”

Confira a matéria completa no site http://www.bocaonews.com.br/noticias/principal/justica/34707,cotas-sao-aprovadas-a-unanimidade-no-supremo.html para obter maiores detalhes e informações sobre o assunto.

Quem não sofre preconceito de cor, sofre preconceito por outros motivos: por ser gordo, homossexual, por ser idoso, por seguir uma religião, por pertencer a uma classe social, cultura. E por aí vai uma lista enorme. Essas pessoas também terão cotas?

O fato de o preconceito racial ser de cunho histórico-social, não justifica a política de cotas simplesmente porque os demais preconceitos, que talvez não estejam ligados a fatos históricos; não deixam de prejudicar grupos de pessoas e nem tampouco deixam de atingir essas pessoas de maneira desvantajosa.

O argumento do Sr. Britto é fraco. Se há uma desigualdade social ela advém de diferenças de oportunidades de estudo e de formação para todos.  Um aluno branco e um aluno negro que frequente uma escola de elite terá as mesmas chances de entrar numa universidade concorrida deste país. O mesmo não ocorrerá com um aluno branco e com um aluno negro oriundos de uma mesma escola pobre cuja defasagem de ensino beira o colapso. Partindo-se desse pressuposto, a questão deixa de ser racial e passa a ser social. A diferença social é, antes da racial, muito mais decisiva na hora de se concorrer a uma vaga em uma universidade concorrida.

Até porque, em se tratando de preconceitos, uma pessoa homofóbica, racista, sexista, enfim; uma pessoa preconceituosa não precisa destacar seu preconceito pra justificar a não-contratação para uma vaga de emprego a alguém que lhe cause repúdio. Ao invés de dizer algo como “seu lugar não é aqui”, ela diz “sinto muito, a vaga já foi preenchida e manteremos seu currículo conosco.”

Em relação às cotas nas universidades, o que vai contar é o desempenho do aluno – seja ele branco, seja ele negro – dentro do curso. Alunos universitários desistem dos cursos aos montes e graduam-se em cursos aos montes e isso anda tem a ver com sua cor de pele. Da mesma forma, ser capaz de passar num vestibular nada tem a ver com cor de pele, e sim, com capacidade intelectual para acessar e frequentar um curso. Não são as cotas que vão fazer um aluno se destacar ou fracassar em um curso. O buraco é mais embaixo. Um aluno que não tem base educacional e cultural para frequentar um curso universitário desistirá cedo ou tarde. E isso não está relacionado á cor da pele e a preconceitos. Está mais relacionado à falta de base e condições sociais.

E ainda assim, desculpa de aleijado é muleta; ou seja, uma condição social precária não é decisivamente um fator de exclusão total de futuros alunos que queiram estudar numa boa universidade. Há inúmeros relatos de pessoas que vieram de classes sociais desprivilegiadas e que se tornaram brilhantes estudantes universitários e profissionais – sem relações e menções a raças.

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