MMA: Violência Gratuita

 

 

Vivemos a era da institucionalização da violência. A violência traz muito dinheiro. Na época do Império Romano, através da política de Panis et Circences (em que ocorriam apresentações de gladiadores no Coliseu), os mesmos lutavam entre si até que o suposto melhor lutador esfacelasse seu oponente reduzindo-o a uma massa de carne fraturada e sangrenta. Não havia lei. O oponente era o inimigo e o objetivo era bater, surrar, massacrar, detonar independentemente de pedidos de misericórdia ou clemência.

No mundo moderno o que os gladiadores faziam no Império Romano ganhou outra cara, outra forma; mas, manteve a essência: a violência pela violência como forma de entretenimento e de movimentar dinheiro. Apelando aos instintos mais reprimidos do ser humano, aquele mesmo instinto animalesco que faz um motorista encher outro de porrada por causa de um arranhão em seu carro numa briga ou discussão de trânsito; aquele instinto que faz alguns pais surrarem filhos a ponto de lhes enviarem a hospitais ou maridos espancarem suas namoradas e/ou esposas até lhes desfigurarem o rosto de tanto soco e ainda o mesmo desejo praticamente assassino de lesar o adversário até que ele não tenha mais condições de se manter em pé.

Batizado como MMA (Mixed Martial Arts) a modalidade oficializada e considerada como “esporte” vem ganhando espaço e terreno aqui no Brasil. O perfil desses lutadores se resume, com raras exceções, a pessoas que só conhecem a violência como estímulo: batem por prazer, sentem prazer em ferir e assim seguem sua vida influenciando e estimulando milhares de jovens em academias espalhadas pelo país. Mesmo porque, no Brasil é de praxe a maioria da população pobre optar por não estudar para se tornar um jogador de futebol famoso e rico como Adriano, Neymar ou Ronaldinho. Provavelmente teremos por aí uma geraçãozinha de adolescentes que vão resolver tudo no braço ao invés de conversar civilizadamente. Isso, na verdade já é uma realidade. O que não falta por aí – as estatísticas policiais mostram – são casos e mais casos de agressões físicas se proliferando. Não vamos ser ignorantes a ponto de responsabilizar esportes violentos como responsáveis pelo aumento da violência. Não. A violência e agressão física vieram muito antes de qualquer esporte de lutas. Apenas vale frisar que estamos diante de um bom estímulo para que a violência seja aceita e considerada algo normal. Sim, quanto mais sangue melhor. O sangue é parte do espetáculo e como consequência disso teremos menos tolerância e mais agressividade por aí. Se a violência se restringir aos que optam por arriscar-se dentro de um octógono, ok. Que venha mais sangue e carnificina.

Os resultados disso podem ser catastróficos como para alguns “gladiadores” que ficaram paraplégicos. O filme “Menina de Ouro”, dirigido por Clint Eastwood estrelado pela  atriz Hilary Swank nos dá uma amostra das consequências sofridas por uma praticante de boxe.  Parece-me que o lutador canadense Effrey Dunbar não deve ter atentado para esse pequeno detalhe – o risco entre tapas, socos murro regados a sangue – pode trazer. Vejam o vídeo e tirem suas próprias conclusões.

 

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