Papai e Mamãe

Desde criança, observo meus pais em seu relacionamento conjugal, muitas vezes conturbado, muitas vezes amavelmente amistoso. Relacionamento este, que será bem utilizado na análise que faremos neste post.Image

Mamãe nunca foi muito delicada, tampouco carinhosa. Mulher forte, irritada, nordestina, destemida, pelo tanto que a conheço, ouso dizer que não se daria ao luxo de esboçar grandes demonstrações de carinho para com papai. Muito falante e alegre, sempre gostou de deixar bem claro, que jamais precisaria de um homem para sobreviver, até mesmo se estivesse descalça e desarmada  num planeta onde só vivessem lobos famintos, quanto mais num mundinho besta como este em que estamos.
ImagePapai… Ah! Papai… Não teria palavras que pudessem descrever a paciência deste homem, tão forte, trabalhador, experiente, e calmo, tão calmo, tão calmo, e tão desligado que dava vontade de bater.  Raramente, em meus vinte e poucos anos de convívio, cheguei a ver esse homem mudar a expressão de forma negativa. Nunca vi meu pai nervoso ou comprando brigas de alguém (até mesmo de nós, os filhos), mesmo que isto significasse receber diversos adjetivos. Bem, exceto minha mãe, a única que conseguia tirá-lo do sério e de sua zona de conforto. Mas o cara tinha um coração tão grande e tão bondoso, que a bananice dele às vezes se escondia atrás de seu coração.
Casal estranhíssimo, este! Sempre me perguntei sobre a forma repentina e inusitada que estes destinos foram se cruzar. Mas não é que essa mistura me fez perceber que a tolerância beira a eternidade?Image
Mais de trinta anos de casados, pelas minhas contas, mais de 40.000 brigas, nenhuma separação.
O que mais me cativa nesses dois, além da habilidade de convívio de ambos, é também o fato de que, mesmo não havendo, por parte de mamãe, grandes ou pequenas demonstrações de carinho com papai, sempre foi tão claro o companheirismo existente ali, que eu comecei a perceber que as brigas cotidianas serviam também como neutralizadores, para o  trabalho estressante, de conviver com uma pessoa de natureza tão diferente da sua, mas que você ama com toda a força á ponto de perder a calma.
Atualmente, devido à correria da modernidade, a impaciencia, assumiu o lugar da tolerância! Não existem mais casais com mais de dez anos de casados que permanecem felizes, e o pior, é que esses mesmos casais, não aceitam passar por cima dos problemas para que continuem, mesmo que em baixo de chumbo, mantendo um relacionamento saudável.
Aprendi a analisar com bons olhos esse relacionamento, conforme a maturidade, (acompanhada da idade), foi chegando. Porque a idéia que se tem, é que não vale a pena insistir, e sim deixar pra lá, algo que nunca vai dar certo. Não é assim, que se tem pensado, ultimamente?
Esse post é dedicado a esses dois, que acabaram com meu sossego durante anos, com vasos quebrados na parede, cachorros chorando, pau de macarrão eternamente faltando pedaços.Mas que mesmo assim, me ensinaram a brigar pelo meu próprio espaço, mas aceitar também as diferenças alheias.

Até o próximo café, galera!!!

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