O Fantasma de Canterville e nossa relação com o mundo

O conto O Fantasma de Canterville (The Canterville Ghost), escrito por Oscar Wilde, foi publicado pela primeira vez em 1887 pela revista Court and Society Review e, embora não seja uma das obras primas do autor; creio que dentre seus contos, este é o que mais se destacou e ganhou fama aqui no Brasil.

Eu li uma adaptação para crianças deste conto pela primeira vez lá pelos meus 11 anos de idade e; depois de adulto, li o conto em sua inteireza e beleza. Aquele livro que, no início de minha adolescência, nada mais era do que uma história divertida de um fantasma que não conseguia assombrar os novos donos da propriedade de Canterville possui uma gama interessante de relações e simbolismos que não deixam de ser atuais.

Gostaria de fazer um convite à leitura deste conto. Você pode simplesmente lê-lo como uma história divertida – e, sim, você vai dar umas boas risadas por conta de coisas nonsense no texto – como também pode fazer uma leitura mais criteriosa e buscar relações de sentido mais profundas. Quanto a isso, fica à mercê de sua experiência de vida e da sua relação de sentido com o mundo e com o conto.

A mansão de Canterville recebe seus novos moradores compostos pela família Ottis, estadunidense, moderna e descrente da existência de fantasmas. O fantasma decide assombrar a família e cada investida sua com esse intuito é aniquilada pela família Ottis. Ao fantasma, lhe é oferecido óleo para desenferrujar as correntes barulhentas; detergente poderoso para remover a mancha do tapete que muda de cor constantemente levando a família a fazer apostas para adivinhar qual seria a cor da vez, etc.

Nada é capaz de assustar essa família. O fantasma é constantemente humilhado e desacreditado de modo a recordar muitas vezes as glórias de um passado em que ele conseguia impor-se. O tradicional e lendário mistura-se com o moderno e racional neste conto de modo que os resultados desse embate nos leva a repensarmos a nossa própria relação com o que faz parte da nossa concepção de realidade e irrealidade, de racionalidade e irracionalidade, de fantasias e de verossimilhanças. Um texto do século XIX que até hoje continua atual.

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