Sirius Black e o Coração de cada um

Pois é, a vida é feita de altos e baixos. E sim, cada um de nós não apenas sabe “a dor e a delicia de ser o que é”, mas também sabemos o quanto doeu cada passagem em nossa vida, e o quanto é necessário superar a dor e seguir em frente, não importa o que aconteça.

Sabemos também que cada coisa nos transforma, faz com que possamos evoluir/crescer. Que cada acontecimento da Vida produz uma reação em nós. Como disse Sartre, “não importa o que os outros fizeram com a gente, mas o que fazemos com aquilo que fizeram com a gente”.

Dizem alguns que “a Dor é obrigatória, mas o sofrimento é opcional”. Sim, dor, todos nós vamos ter; errar, todos nós vamos errar. Não adianta ficar choramingando, ou achando que isso é o fim da vida, porque jamais é. A Vida prossegue, apesar de qualquer coisa. Mas quando falamos do que isso provoca em nós, no nosso modus operandi, no jeito que passamos a tratar da Vida em si ou das outras pessoas, aí entramos num campo totalmente diferente.

 Fully agreed, Mr. Balboa…

As transformações que essas situações trazem são sempre indefiníveis, e dificilmente sentidas por nós, no momento em que as vivenciamos… Só com o contato com o outro, de forma geral, é que conseguimos nos aperceber do que fazemos, especialmente daqueles com quem vivemos com maior intensidade, como familiares ou amigos mais próximos. Ou namoradas(os), maridos, esposas, etc… Porque, para eles, a mudança fica evidente. Ainda que não compreendam os motivos, ainda que não saibam o que aconteceu, eles notam que algo está diferente. Claro que nem sempre a mudança é ruim: muitas vezes, se relaciona com algo que nos transforma, nos faz mudar, e efetivamente crescer, como seres humanos.

Mas não necessariamente, uma mudança é fácil, ou efetivamente traz algum bem. Algumas delas, e é a elas que me refiro, nos endurecem. Fazem que sejamos mais secos, mais duros com aqueles que nos rodeiam, nos fazem menos empáticos, menos ligados à dor do outro. E isso pode não ser negativo: pessoas muito sensíveis (Presente o/) tendem a se ligar DEMAIS ao outro, e a desprezar a própria dor, as próprias coisas. Ou acabar somando ou somatizando à sua própria dor.

Em determinados pontos, faz muito bem. Ajuda a centrar, a focar, a amar a si mesmo, que, para quem não lembra, é o principal mandamento da Lei de Deus, segundo Jesus Cristo: “Amarás ao Senhor teu Deus sobre todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo; essa é toda a Lei e os profetas” (Mt 19:19). Se você não SE amar, jamais vai estar fazendo algo por alguém por Amor, e sim por uma necessidade de ser bom.

O que me leva ao Sirius Black, em uma cena do “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, em que o Harry está preocupado por estar se tornando igual ao Voldemort… E Sirius dispara a melhor de todas as sentenças/frases/conselhos de todos os tempos, em relação à isso:

“I want you to listen to me very carefully, Harry. You’re not a bad person. You’re a very good person, who bad things have happened to. Besides, the world isn’t split into good people and Death Eaters. We’ve all got both light and dark inside us. What matters is the part we choose to act on. That’s who we really are.”

“Quero que você me ouça muito atentamente, Harry. Você não é uma má pessoa. Você é uma pessoa muito boa, a quem aconteceram coisas ruins. Além disso, o mundo não se divide entre pessoas boas e Comensais da Morte. Todos nós temos luz e trevas dentro de nós. O que importa é qual delas nós escolhemos pra viver. É o que realmente somos.”

Thank you very much, Mr. Black…

Ou seja… A Vida vai nos fazer sofrer, e cabe a nós decidir o que fazer com isso… Permitir que isso nos amargure, nos faça sofrer, nos leve a nos tornarmos algo diferente do que somos, ou simplesmente aprender algo, e viver mais grandiosamente. Ninguém é totalmente mau ou bom, e há mesmo momentos em que é NECESSÁRIO (por uma questão de sobrevivência, física ou do ego) que sejamos “ruins”, mas isso não nos faz pessoas ruins, ou com pouco Amor no coração. É apenas uma reação necessária, para o nosso próprio bem, e bem provavelmente, para o bem daqueles que nos cercam.

Como disse Jung em “Um Método Perigoso”, “algumas vezes na vida você tem que fazer algo imperdoável, apenas para poder se manter vivendo”.

Guess you’re right, Dr. Jung…

E isso, meu amigo, só lhe faz mais humano.

E pra não esquecer…

2 thoughts on “Sirius Black e o Coração de cada um

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