Identidade perdida para os outros

Você se importa com o que os outros pensam sobre você? Pior, com a imagem que você passa aos outros?  Até que ponto? Eu conheço muita gente que se preocupa com todo o mundo. É uma preocupação tão grande que vai  até o ponto de se prejudicar em detrimento do bem estar de alguém que, muitas vezes, está pouco se importando com a atitude nobre do carinha legal em questão.

Eu tenho uma amiga, muito querida por sinal, que adora ajudar aos outros. As pessoas em si parecem pouco ligar para ela. Ela mesma reclama disso para mim. Creio que essas pessoas têm razão; afinal de contas, ela faz pelos outros aquilo que ela queria que fizessem por ela; mas, antes de mais nada, ela faz o que faz porque quer.

Certa vez essa amiga me perguntou se eu conhecia alguém que lhe poderia arrumar um emprego. Eu de fato conhecia. Como não me custaria nada e nem atrapalharia minha rotina de afazeres, telefonei ao amigo, acertei tudo e o resultado seria: uma entrevista, emprego 99% garantido, 1500 reais de salário, mais vale-transporte. Jacaré foi à entrevista? Não, né? Pois é, minha amiga também não.

Depois, ela me contou que iria trabalhar de graça num desses eventos de centro espírita kardecista em que eles costumam fazer bazares para supostamente ajudar os necessitados.  Friso o supostamente porque, realmente, nunca sabemos se a grana é aplicada ao que eles se propõem a fazer ou se a grana fica na mão de poucos. Como não estou falando de hipocrisia, canalhice, má fé e falta de vergonha e ética, isso ficará para um outro artigo.

Voltando à querida amiga em questão, o que fica é: uma pessoa que diz precisar de emprego não costuma trabalhar de graça em eventos. Mesmo porque, de onde ela tiraria o dinheiro pro ônibus? Bom, ela pode ter ido de carona, evidentemente. Talvez a comida ou lanche o evento lhe proporcionaria, de modo que ela não passaria fome.

Provavelmente ela conseguiu o que queria: chamar a atenção para si. E provavelmente nas rodinhas de fofocas as pessoas devem comentar: “Nossa, coitada da Fulana, ela está sem emprego e veio trabalhar aqui de graça por caridade”, ou ainda, “Nossa, a Fulana é tão legal, olha como ela é prestativa” e quando não, “Ai Fulana, se não for te atrapalhar, faça isso, e isso e aquilo para mim?”

As pessoas que fazem de tudo para agradar aos outros e se prejudicam precisam de ajuda porque se preocupam tanto com a própria imagem refletida na opinião alheia; que perdem a identidade. Uma ajuda que devem tirar ou de dentro de si mesmas ou de um consultório de psicanálise.  Até porque, todo o mundo tem suas ocupações, problemas e vidas para cuidar. Sendo assim, a “coitada da Fulana” não poderá contar comigo. Mesmo porque, o que penso ou deixo de pensar sobre ela, ela nem saberá.

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