O genocídio das pulgas

Nunca fui esse tipo de pessoa. Não mato pernilongos, não mato formigas, na realidade sempre uso o tempo necessário para que elas saiam dos ambientes antes de jogar água e resgato qualquer pequenina que esteja se afogando. Maluquice ou hábito, não curto matar seres. Acontece que minha pobre cachorra tem pulgas. Pulgas estão morando no piso da minha casa. Casa que em breve terá um neném recém-nascido. MEU neném. Tadinho, tadinho! Meu neném sendo digerido por pulgas mutantes gigantes!!!!!!

MEEEEUUU BEBEZINHOOOOO!!!!

Decidi que preciso eliminar as pulgas. Todas. Cada ovo e cada larva. Afinal, se eu não acabar com os bebês pulgas elas vão comer o meu bebê. MEEEEU bebêzinho!!!!
Assim se dão genocídios, meu povo. Assim como eu temo pelas pulgas no meu filhinho, muitos temem por todos aqueles que podem ser uma ameaça à vida – ou à tranqüilidade – dele e daqueles que ama.
Nem sempre sabemos se a ameaça é real. E verdadeiramente ninguém costuma pensar além do próprio incômodo. Afinal de contas, por que o “povo X” está sendo uma ameaça ao “povo Y”? Por que os pernilongos infestam alguns lugares? Por que tantos patos? Ervas daninhas? Idéias danosas?

Porque você é tão diferente?!

O que os qualifica como problema a ser eliminado é a visão julgadora do outro lado, que muitas vezes não percebe que foi ele a origem do desequilíbrio. Ou você acha mesmo que superpopulação de cabras em alguma região (a exemplo do George, o Solitário, em Galápagos, o último de sua espécie que nos deixou no último sábado) é simplesmente porque elas procriam incessantemente e vivem para sempre? (na realidade, para pra olhar toda a trajetória do querido George e sua família ilustraria toda a situação – George – uma história de humanos malucos)
Para haver um inimigo é necessário alguém que se incomode com a sua presença, com seus meios de sobrevivência, com a sua alimentação (como as minhas pulguinhas aqui… não poderiam comer alface? As alimentaria com prazer) ou com suas idéias – e cacemos os comunistas, com idéias malucas e hábitos alimentares assustadores baseando a dieta em criancinhas (é o que me dizem alguns senhores que seriam bons velhinhos se não abrissem a boca).


Todo oposto existe porque existe algo digno de ser contrariado. Toda peste existe porque algo está em desequilíbrio. Toda pulga existe…. para ser comida por aranhas-marrom (http://pt.wikipedia.org/wiki/Aranha-marrom)! Foi o que me disseram… Será que devo equilibrar o ecossistema doméstico com uma família dessas sobre o berço?
A opção que prevalece ainda é fugir de inseticidas (que contém tantas restrições no rótulo que alguém deve ser maluco de achar que deve usar aquilo!) e borrifar álcool (1 litro), cânfora (16 pastilhas), cravo da índia (10 unidades) e vinagre (1 copo) misturados pela casa inteira. Quem sabe as velhinhas saibam como se livrar das verdadeiras comedoras de criancinhas….

2 thoughts on “O genocídio das pulgas

  1. Boa Dani! Sempre fico possessa quando alguém diz que vai usar “roundup” para acabar com os matinhos… e a boa e velha enxada??? Ninguém pensa nas consequências, só querem cortar o “mal” pela raiz e não ter o trabalho de fazê-lo de novo tão cedo. Parece que ninguém mais ter amor a terra…😦

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