“Am I going insane?”

Escuta AQUI

Admita, você já se perguntou isso, uma ou duas vezes na vida. E não teve certeza da resposta.

Claro, com o tempo, você entendeu que era apenas uma bobagem, e seguiu em frente, com seus sonhos, desejos, lutas, dores, alegrias. Tudo passou, como se tivesse sido apenas um sonho ruim. E realmente, foi.

E quando não é?

E quando você se vê preso a uma realidade que você sabe não ser a sua, mas não consegue agir/viver de maneira diferente, ou voltar àquela a qual você estava habituado? Quando tudo perde o sentido, quando você não sente mais confiança, nem em você, nem em nada?

Lost in yourself…

Not even then, my friend… A verdadeira insanidade não se traveste de maus sonhos e momentos ruins. A verdadeira insanidade é não saber o que é real, mais. Não entender o que é sonho e o que é realidade. É não conseguir definir parâmetros pra sua vida. É não ter controle sobre si mesmo, não saber mais o que se é.

Pessoalmente, tive Síndrome do Pânico duas vezes (sim, duas) e transtorno generalizado de ansiedade. Sei, de coração e mente, o que é se sentir um alien, um ser diferente e diferenciado, mas não de uma forma boa. Como se o resto do mundo fizesse sentido, e você não.

Graças ao bom Deus, e à sua Infinita Misericórdia (Atheists, I don’t give a flying fuck), consegui superar tudo isso. Mas esses momentos da vida foram os mais difíceis que enfrentei. E só eu e Deus sabemos o que foram esses tempos.

Me and God…

Era viver todos os dias com medo, de o que quer que fosse. Na primeira vez, quando eu tinha 22 anos, sem saber nem entender o que era… Passei os 10 primeiros dias deitado num colchão, no chão, sem fome. Tudo o que eu conseguia era fumar. Não conseguia sequer me mexer… Cada movimento parecia que ia me render o fim. Até para ir ao banheiro era algo complicado ao extremo. A palpitação era eterna. À noite, tomava um calmante fitoterápico, para ajudar a dormir. Quando o remédio fazia efeito, a palpitação parava. E eu chegava a prender a respiração pra voltar a sentir o coração batendo, porque algo estava errado.

Graças ao meu pai, que me fez levantar do chão e enfrentar isso, que eu comecei a superar. Nos primeiros dias, eu tinha que ser levado pra rua, carregado, porque não conseguia firmar os pés no chão. E a falta de ar que não parava.

Raise up…

Voltei a freqüentar o centro espírita que ia habitualmente, fui a um psicólogo, busquei ajuda em Deus, todos os dias. Oito meses depois, de luta diária, de enfrentamento diário, eu consegui dar uma volta pelo bairro sozinho, sem precisar de ajuda de ninguém. Com o medo gelando a alma, mas enfrentando isso.

Dezesseis meses depois, eu estava curado. Um emprego nesse meio tempo ajudou a manter a mente ocupada, e a fé me levou em frente. Inclusive um incidente nesse meio tempo reforçou a minha fé por toda a minha vida, mas isso fica pra outro texto.

Reconstruí minha vida, acabei casando, indo morar em outro Estado, e lutando pra alcançar algo melhor na vida. Algumas coisas não deram certo, como meu casamento, ou ter que voltar pra casa dos pais com o rabo entre as pernas, mas tudo bem. A vida prossegue.

Com quase 30 anos, a Síndrome volta. Pudera: estava há mais de um ano sozinho, sem trabalho, sem perspectiva de qualquer coisa em minha vida, sem esperanças. E um amigo querido, que cresceu comigo, tirou a própria vida. Foi a gota d’água.

Novamente, o medo. Agora era diferente… Eu sabia que podia superar. Já tinha conseguido uma vez, eu tenho forças pra fazer de novo; em teoria. O medo agora era de morrer. Qualquer coisa me fazia entrar em neurose. Lembro de um dia que acabei dormindo em cima do braço, e claro, ficou dormente. Acordei desesperado, achando que estava tendo um derrame. Esse tipo de pensamento desencadeou o transtorno de ansiedade… Que foi pior de superar que a Síndrome.

Ansiedade e medo são coisas naturais do ser humano, e tem até explicação evolutiva. Mas no nível que acontece nessas situações, é irracional, doentio.

Busquei ajuda novamente, de volta à Fé, de volta ao psicólogo (outro, MUITO melhor, dessa vez), e lá se vão três anos de terapia e orações.

A Síndrome está superada, e o transtorno de ansiedade ainda incomoda, às vezes. Mas nada que não dê pra controlar.

Como diz Ozzy Osbourne, “tell me, people, am I going insane?”?

At this moment you were, Mr. Osbourne…

Não… Como disse Sirius Black (vide texto anterior), “eu não sou uma má pessoa”. Apenas coisas ruins aconteceram comigo, e é correto afirmar que por minha própria culpa. Claro, ninguém tem esses distúrbios porque quer. Não é NADA agradável. Sinceramente, não desejo o que eu passei em qualquer uma dessas duas vezes pra qualquer pessoa, nem aquelas com quem não me dou tão bem assim, ou que não gostam de mim.

Mas, como tudo na vida tem seu lado bom (menos o disco do Wando, R.I.P.), aprendi MIL coisas com tudo isso… E aprendi, SIM, a ser uma pessoa melhor, uma pessoa mais decidida. Eu efetivamente CRESCI (não pros lados, como alguns podem pensar) com toda essa dor e sofrimento.

Sou uma pessoa perfeita? Claro que não. Tenho defeitos como todo mundo, NADA do que eu passei me faz melhor que qualquer outro. Só me fez ser mais eu. E aprender a deixar a culpa de lado, a deixar de querer a perfeição (porque só Deus é perfeito), a respeitar as pessoas e a ME respeitar (coisa que eu não tinha aprendido até hoje). A lutar pelo que quero, a saber falar um grande e grandioso FODA-SE pra quem não gosta de mim, não me aprova, não concorda com o que eu penso ou falo. Aprendi a ME DAR valor. Claro que ainda apanho com qualquer uma dessas coisas, mas estou no caminho do aprendizado. E sei que não vou conseguir acertar com todos; não me é dada a perfeição. Eu vou errar. E provavelmente, MUITO. Mas como disse o Cristo: “Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra” (Jo 8:7).

And I don’t care, anymore…

Concluindo: a verdadeira insanidade é uma coisa muito triste, da qual a pessoa simplesmente não sai. Ela não tem noção da realidade, não sabe definir sua própria vida. Pessoas com distúrbios como a Síndrome do Pânico, Depressão, Stress, Ansiedade (e seus transtornos), TOC, etc… Não são pessoas loucas, nem tampouco “fracas”, como o populacho adora afirmar.

São apenas pessoas que em algum ponto não conseguiram mais prosseguir sendo do jeito que são, e Deus, usando seu corpo e mente, deu um jeito de rearranjar tudo isso, de uma forma mais saudável. Pra você e pra todos os que te rodeiam. Porque sim, amigos e família sofrem com isso tudo também, não apenas por ter que suportar sua crise, mas por não poderem fazer nada por você. Podem estar ao seu lado, te dar força em tudo, mas não podem tomar pra eles o sofrimento que está em você. E alguns deles, por mais surpreendente que possa soar, tomariam a sua dor de você, sem pestanejar. Por causa da força mais poderosa de todo o Universo: o Amor (não o amor erótico, mas o Amor Divino). Pudera boa parte dos ateus entendessem isso, que toda a vivência da Fé e de Deus se refere a esse Amor, mas enfim…

Life ALWAYS goes on, my friends…

One thought on ““Am I going insane?”

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s