Oráculo de Delfos e Machado de Assis: coisas futuras!

Uma das coisas que mais intrigam o ser humano é o porvir. O que vai acontecer no futuro? Para muitos, o futuro a Deus pertence e não é motivo de preocupação. Entretanto; como a curiosidade matou o gato, – sabe-se lá em que tempo, pois, esse ditado sempre foi proferido por gerações e gerações passadas e continuará sendo usado pelas gerações futuras sabe-se lá por quanto tempo, enfim… – sempre há uma ponta de curiosidade em se antenar com o futuro através de artifícios os mais variados: bola de cristal, búzios, cartas de tarot, etc.

Na Grécia da Antiguidade as pessoas consultavam o Oráculo para saber das coisas vindouras. Talvez o mais famoso tenha sido o oráculo de Delfos, em que havia a famosa inscrição: Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo.

O conhecimento de si mesmo não deve partir de fora, imagino eu. Sendo assim, buscar conhecimento em previsões futuras – como muitos fazem – pode ser um grave erro, considerando a incoerência que temos entre certezas e incertezas. É o que acontece com a personagem Natividade do livro Esaú e Jacó escrito por machado de Assis. Ao subir o Morro do Castelo, Natividade ouve da cabocla a seguinte previsão em relação a seus filhos gêmeos: “Coisas futuras! (…) Seus filhos serão gloriosos. É só o que lhe digo. Quanto à qualidade da glória, coisas futuras.” (ASSIS, M. in Esaú e Jacó. cap. 1. Coisas futuras!)

No decorrer da narrativa os personagens realmente desenvolvem-se muito bem e conseguem altos cargos profissionais em suas vidas, tornam-se homens respeitáveis para seu tempo, enfim. As coisas futuras eram realmente brilhantes sob o ponto de vista social. Porém, considerando-se aspectos emocionais, familiares e afetivos, a qualidade da glória desse futuro não foi tão brilhante assim. Se a curiosidade matou mesmo o gato, você vai ler esse romance de Machado de Assis. Se não o ler, ao menos vai querer saber do que se trata.

Ao consultarmos um oráculo, uma cartomante e videntes geralmente esperamos ouvir coisas que, no fundo, já sabemos: que teremos maior probabilidade de realizar feitos baseando-nos em nossas condições reais e vem daí a ideia de futuro. O tal colher e plantar que nada tem que ver com previsões futuras e sim, considerando as inscrições de Delfos, com o que fazemos e deixamos de fazer em prol de nós mesmos de acordo com o conhecimento que temos d enós e que viremos a ter.

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