Ao meu filho (que ainda há de vir)

Olá, meu filho.

Sou eu, seu pai. Provavelmente, quando você tiver capacidade de ler e compreender isto, você já terá passado por muito do que está escrito, mas ainda assim, entenda isto não como um roteiro a seguir, mas como um aviso para os erros que você não deve cometer, como seu pai o fez.

Quando você veio ao mundo, foi o dia mais feliz da minha vida. Toda a dor e sofrimento que eu havia tido até aquele momento, se desfizeram. Tudo aquilo que eu sonhei, com a sua mãe, havia se concretizado. Apenas aquele pequeno ser (você) chorando, sujo, esticando braços e pernas pra nós. Não pude contar as lágrimas, sabendo que eu havia concretizado meu destino, como homem.

 

Bem vindo ao mundo, garoto…

Você sabe que sou um homem de fé, e naquele momento agradeci a Deus por tudo o que havia passado, que havia me feito forte suportar o que suportei, mas também por ter tido a capacidade de saborear essa felicidade, que eu lhe afirmo: não há algo igual. Simplesmente não há.

Em poucos dias, você abriu os olhos, e chorava, Deus, como chorava. Tantas noites fiquei sem dormir, outras sua mãe (sim, chegamos a revezar, porque não era uma tarefa para um só). Uma vez era fome, outra fraldas sujas, outras manha. Mas qualquer noite mal dormida era paga quando você se acalmava, e voltava a dormir. Ou o melhor dos prêmios, pra mim: quando você sorria.

Em alguns meses, você começou a balbuciar, engatinhar e a andar. Céus, como cansava! Não podíamos desgrudar os olhos de você uma única vez! Agora podíamos dormir, mas como estávamos tão cansados, o descanso ainda era pouco. Mas ouvir você rindo, brincando, com saúde (embora tenha tido seus probleminhas como toda criança), pagava tudo isso.

 

Sem descanso, jamais!

Depois de um certo tempo, você já andava sozinho, e começou a soltar as primeiras palavras. A primeira, claro, foi chamando sua mãe. Sim, ela chorou HORRORES. Mas de felicidade. Confesso, chorei também. Não apenas por serem suas primeiras palavras, mas por saber o quanto significavam pra ela. Em pouco tempo você me chamou também. Sim, chorei outra vez.

Então você chegou naquela fase terrível, em que tive que começar a ser duro com você. Não por uma necessidade de frustrar seus desejos, mas por uma necessidade de educá-lo, para que se tornasse o grande homem que é hoje. Se algum desses momentos ficou marcado em sua memória, e lhe magoou durante a vida, me perdoe, meu filho. Mas em breve você aprenderá isso, quando tiver o seu filho.

Foi necessário… Me perdoe…

Finalmente, você foi pra escola. Como você chorava nos primeiros dias… Mas depois nem olhava pra trás. Eu e sua mãe sentíamos sempre uma pontada no coração de ver você indo sozinho, mas ao mesmo tempo, ficávamos orgulhosos de ver nosso garoto iniciando uma vida linda na escola.

Nem ligava mais…

Rápido, você cresceu. Começou a se tornar um pequeno grande homem.

Lembro quando você parou de gostar dos meus abraços, e dos beijos da sua mãe. Como você ficava embaraçado, quando o chamávamos enquanto estava com seus amigos.

Só por curiosidade, também ODIAVA quando os meus pais faziam isso. Mas é natural. Você vai entender.

Lembro do dia que você trouxe sua primeira namorada em casa. Não se largavam. Lembrava eu e sua mãe quando começamos a namorar também. E lembro o quanto me cortou o coração quando você chegou muito triste, mas não disse nada. Sua mãe foi conversar com você, e você aos prantos contou que haviam terminado. Eu não lhe disse nada, naquele momento. Mas eu sei o quanto dói, filho. Mas passa. E passou, não é mesmo?

 

Eu sei que doeu, cara…

E quando eu menos esperava, você já estava na faculdade. O curso que você escolheu, jamais lhe disse, mas não concordava, achava que você tinha outros talentos, bem mais pertinentes. Mas você me provou errado. E na sua formatura, incrivelmente, foi o dia que eu senti mais prazer por estar errado em toda a minha vida. Estávamos longe, eu e sua mãe. Ela encostada no meu ombro, aos prantos. Claro, eu também. Nos olhávamos, pensando: “É o nosso filho!”.

 

Quanto orgulho você nos deu…

E quando você trouxe a sua hoje esposa para nos conhecer… Sua mãe não gostou dela. Achei uma mocinha bem simpática, e agradável. Lembra-se que sua mãe foi indelicada, e você ficou muito bravo com ela? Não tenha raiva dela, por isso, meu filho. Ela estava com medo, como eu também fiquei, por sabermos que logo você não estaria mais conosco.

 

Deus, como doeu te ver indo…

Todas aquelas noites mal dormidas, todos os sorrisos que eram só pra nós, todo o dinheiro gasto, em remédios, roupas, móveis, brinquedos, comidas, sapatos, livros, material escolar, viagens, documentos. Todas as noites em claro, esperando você voltar. O coração na boca, cada vez que você se machucava em qualquer atividade boba. A alegria em cada uma das suas vitórias. O orgulho em cada uma das suas conquistas.

E hoje, que você está prestes a passar por tudo isso, meu filho… Que meu primeiro neto está pra nascer, e você está pronto pra trilhar todo esse caminho… Só tenho uma coisa a lhe dizer…

Vale cada segundo.

2 thoughts on “Ao meu filho (que ainda há de vir)

  1. alvez uma das coisas mais interessantes da vida seja este ciclo aí descrito por vc, Edu. Se vale cada segundo, só a experiência individual é que vai confirmar. Muito bom e convincente o texto… às vezes dá vontade de fazer esse mesmo caminho aí descrito…🙂

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s