Mineirices 3 – Jubilando

Sim caros leitores, vou falar novamente da minha querida, saudosa e amada Senador Firmino!

Não falei sobre o Torneio Leiteiro (a Exposição da cidade), mas não resisto e vou falar um pouco do Jubileu de Nossa Senhora da Conceição. Pra começo de conversa, este é o 113º ano que acontece este evento, ou seja, merece respeito!

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O Jubileu é uma celebração católica que acontece anualmente na cidade de Senador Firmino entre os dias 01 e 15 de agosto. Durante a quinzena há celebração de missas todos os dias, as pessoas confessam seus pecados e dedicam um tempo extra as orações (pelo menos em teoria).

Mas nem só de orações se vive nestes dias! Como havia (hoje nem tanto) peregrinação de pessoas com o intuito de orar, pagar promessa, renovar a fé, a cidade se transformava. Muitas casas eram alugadas para receber não só os transeuntes, mas também os moradores da zona rural. Quantas histórias eu já ouvi da minha mãe contanto as aventuras vividas em função do Jubileu. Deslocar da casa na zona rural com mais cinco crianças (eu ainda nem tinha sido fabricada) usando charrete, carro de boi, lombo de cavalo, levando mantimentos e roupas novas – sim, porque era um vestido novo para cada dia e o mais bonito ficava para o dia 15.

A praça se enchia de barraquinhas feitas de bambu e lona preta onde eram comercializadas iguarias e tranqueiras (tipo a Rua 25 de Março). Dentre as iguarias estão o famoso cachorro quente que, diferente do Hot Dog, é feito com carne moída e não salsicha. Mas o “charme” da coisa está da disposição do quitute: ele fica durante os quinze dias exposto numa espécie de tampa de fogão vermelha virada para cima. Corajoso de quem come por volta do dia 15 que além do tempero ele ainda conta com a poeira e demais bactérias adquiridas durante os 15 dias.

Não posso esquecer também do forró do porão, carinhosamente apelidado de “panela de pressão” ou “tampa de chaleira”. É pura diversão, seja às 22h ou 15h! Praticamente uma sauna ao som de sanfona e de pés se arrastando no ritmo da música. Porque não basta rezar, tem que pecar para depois poder confessar…

O dia 15 de agosto é o dia do encerramento e também o dia mais importante da festa. Pelo menos é o dia em que a cidade fica mais cheia. A praça parece à estação Sé às 18h. Enquanto muitos se aglomeram em frente da igreja para assistir a missa e receber as bênçãos, outros fazem “via sacra” nas barraquinhas – uma cachaça em cada uma delas! E assim segue a tradição…

Bom, pelo menos essa é a lembrança que eu tenho do Jubileu. Hoje graças à tecnologia pude ver que as coisas não são mais como eram. Pelo menos as barraquinhas não. Segundo fotos postadas pelo tio André, as barraquinhas agora seguem um padrão e os lendários cachorros quentes nem sei se ainda existem… Modernidade x tradição: quem ganha e quem perde? Bom, acho que o tempo irá dizer…

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2 thoughts on “Mineirices 3 – Jubilando

  1. Lindo poema…ou seja relatório,gostei….porque vc falou da roupa nova para o dia 15,último dia de festa,até hoje mamãe deixa uma roupa nova que nunca vestiu para o dia 15,lembro que ela ficava altas horas fazendo roupa para cada filho vestir neste dia , rsrsrrsrsr ,hoje em dia não…já compra pronta.

    • Sim! Minha mãe conta q não bastava estar com o melhor vestido tinha q estar calçada tb! E como sofriam as meninas com sandálias de plástico e os meninos de tênis kichute! rs

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