Quanto vale o show?

Quando uma medalha de prata vale ouro? Bem… nunca. Prata é prata, ouro é ouro. Cada qual tem seu valor específico. A imagem acima é interessante para vermos como é bonito o retrato da hipocrisia. A medalha da hipocrisia reluz até mais do que as medalhas de ouro e de prata conquistas juntas.

O povo brasileiro nunca foi lá muito unido em se tratando de coletividade. Cada um por si, Deus por todos. A partir do momento em que um indivíduo muda seu nível social, ele tende a esquecer-se de onde veio e passa a não se importar mais com os de sua antiga condição. E não se trata de uma crítica, as coisas são como são. Elas mudam mesmo.  Não é à toa que temos a expressão “Não fala mais com pobre?”, referindo-se ao indivíduo que mudou de classe social e não cumprimenta mais os amigos antigos.

Todos nós queremos ascender socialmente e melhorar de vida. Escolhemos profissões que nos sejam prazerosas, de preferência, focando esse objetivo. No mundo do esporte profissional não seria diferente. Sabemos que o futebol é um dos esportes mais rentáveis aqui no Brasil. O patrocínio obtido pelo futebol faz jus ao retorno financeiro que as empresas recebem em troca. Empresas ganham muito dinheiro e é natrural que os jogadores também ganhem; afinal de contas, dinheiro chama dinheiro e é a força que move o mundo. Sob esse aspecto, os “caras como esses [que] ganham fortunas pra treinar, viram celebridades, se mudam para mansões, e vão treinar em carrões importados” merecem tudo isso e subiram socialmente através de um trabalho valorizado. Antes de serem brasileiros e representarem uma nação, são indivíduos com sonhos e desejos de ascensão social como quaisquer outros. Para chegarem onde chegaram, esforçaram-se da mesma forma que os atletas de outras modalidades.

Assim, a medalha de prata dos atletas que “levam vidas difíceis, continuam morando em alojamentos, vão treinar de ônibus” têm o mesmo valor que os outros. Já que não possuem um patrocínio milionário, a única coisa que lhes resta é dar o sangue pelo país nas olimpíadas para, talvez, num período curto de tempo, terem algum destaque. Lembrando-se de que essa dedicação toda é; antes de mais nada, de escolha pessoal, aqui é que entra a hipocrisia.

O velho discurso do “eles-ganham-milhões-e-não-fazem-nada” é ridículo se for levado em conta que ganhar ou perder é o que menos importa: o importante é participar. Não é assim o espírito olímpico? Os mesmos que insistem nessa ideia provavelmente não dão o sangue em seus trabalhos em prol do progresso do país em que vivem e tanto amam e idolatram nas olimpíadas.

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