Aeternus – Capítulo IV

E lá me fui pelas savanas africanas, pelo Saara, e por matas sem fim. Até que cheguei em Oyó, um reino lindo, que tinha 3 grandes reis: Oxóssi, Ogum e Xangô. Eles não eram reis, no sentido que se conhece hoje, não disputavam poder. O partilhavam, cada um assumindo no momento em que era necessário. Xangô, que nos tempos modernos ficou conhecido como Orixá da Justiça, era um homem sábio, um grande guerreiro, e que realmente tinha por maior qualidade o seu senso de Justiça. Como vim a aprender, por todos estes séculos, nada é por acaso, nada mesmo. Tudo tem um estranho senso de destino, uma vontade indefinida que liga nossas vidas e caminhos. Por mais que os grandes pensadores da modernidade pensem que não, com tudo o que vi, só posso dizer que eles não poderiam estar mais errados.

Mas não estou aqui falando dos enganos que as pessoas cometem, estou aqui pra contar minha história.

Xangô era um homem belo, forte, imponente. Sua inteligência, aliada ao seu senso de justiça, lhe trazia um aspecto ainda mais majestoso. Era um homem admirado, por todos. E apenas para consertar um erro das lendas, Oxum eram duas irmãs gêmeas. Oxum não foi casada com Xangô e com Oxóssi. Eram duas irmãs, e cada uma delas foi casada com um deles.

Claro, não que houvesse um pensamento monogâmico cristão, mesmo porque o Cristianismo não era ainda nem pensado. Mas sempre, dentro de si mesmos, todo ser vivente sobre essa terra teve noção de certo e errado. Um certo músico chileno, chamado Tom Araya, cristão católico, disse certa vez: “Se você não consegue conceber o que é certo ou errado, então você não está espiritualmente conectado consigo mesmo”. O irônico é que sua banda sempre trouxe termos satanistas, para músicas, capas de álbuns e etc., mas apenas por questão comercial. Xangô, como homem justo que era, e legislador do povo de Oyó, determinava certos comportamentos, não porque quisesse trazer o que hoje chamamos de castração, ao povo, ao homem. Mas porque simplesmente, é o melhor, para todos. Não aguça a cobiça, não promove brigas ou guerras desnecessárias.

Oxóssi era um provedor, de todos. Sim, ele aprendeu a medicina e o uso das ervas com Ossaim, mas a estória de que ele teria sido enfeitiçado pelo mesmo, é mera lenda. Oxóssi era uma alma livre, que prezava demais sua liberdade. Não queria ficar sob a proteção da mãe, Yemanjá (uma das mulheres mais lindas que conheci, equiparando-se apenas as irmãs Oxum), e precisou viajar, e conhecer coisas novas. Foi onde Ossaim entrou em sua estória. E sobre a defesa de Oyó, com suas flechas… Não eram bruxas, eram corvos que estavam arrasando as plantações.

Oxóssi era um homem alto, de grande porte. Atlético, e extremamente hábil, em tudo o que fazia. Determinado, e algumas vezes, teimoso. Mas um grande homem, e um grande guerreiro.

Ogum… Ah, Ogum. Era um homem de pouca estatura física, mas de grande caráter. Em todos os sentidos. Tinha um gênio fortíssimo, brigando várias vezes com os irmãos. Mas os defendia em tudo. Não admitia jamais o desrespeito com quem quer que fosse, fosse de sua família, fossem dos súditos. Suas habilidades como guerreiro, superiores basicamente a todos, o faziam o defensor do reino. Em basicamente todas as batalhas, que presenciei ou participei, ele era o general. Uma mente afiada, estratégica, mas impulsiva. E foi o meu maior professor, nas artes da guerra.

Os 3 irmãos me ensinaram quase tudo. Eram grandes homens, grandes reis, que sabiam dividir o poder, numa vida quase utópica, naquele reino. Os problemas que levaram à queda daquele povo, só ocorreram depois da morte dos três. Exu, que nada tinha de diabólico, como fazem alguns crer, segurou as pontas de tudo isso, por anos. Era um irmão mais novo deles, apesar do conto que diz ser ele um dos mais velhos. Era um homem espirituoso, mas nem um pouco dado a travessuras. Brincava muito, mas sabia os momentos em que deveria falar sério.

Quando o velho Oxalá se foi, durante o reinado de Exu, me fui também. Vivi anos lindos entre aquele povo grandioso, e belo. Homens poderosos, mulheres lindas, e uma paz que vi em poucos lugares na minha vida. Apesar das batalhas, com os povos vizinhos, a paz reinava, sempre.

Foi um período bom para cicatrizar tudo o que eu já havia passado. Sim, eles haviam notado que eu não envelhecia, mas jamais alguém fez qualquer menção. Ou questionamento. Ou o que quer que fosse. Por isso, tive paz em todos aqueles anos.

Mas agora era hora de seguir em frente. E fui para o Oriente. Onde tive a segunda grande experiência com a Face.

Lá me fui para o local que hoje vocês chamam de Índia. A gloriosa e bela Índia…

 

 

Esta, não a bagunça de hoje…

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