Rejeição e aventuras carnais – sem culpa

 

Hoje eu estava folheando as páginas do livro Tonio Kröger, escrito por Thomas Mann em 1903 e me deparei com uma cena que me marcou muito na época em que eu li o livro, isso já há mais ou menos 8 anos:

Aber da sein Herz tot und ohne Liebe war, so geriet er in Abenteuer des Fleisches, stieg tief hinab in Wollust und heiße Schuld und litt unsäglich dabei. (MANN: 2007)

Mas porque seu coração estava morto e sem amor; ele caiu em aventuras carnais, mergulhou profundamente na luxúria e na culpa e sofreu indescritivelmente com isso. (tradução minha)

No livro esse contexto filosófico está relacionado ao eu da personagem, à busca de si mesmo entre outras questões que permeiam a alma humana. Tomando por base o trecho destacado e contextualizando-o em outro contexto, abro uma linha de discussão que se encaixa no que chamo de rejeição.

Quem nunca levou um fora? Quem nunca se sentiu menosprezado e se torturou perguntando-se o motivo de ter levado um fora? Muito bem. Por maior que seja a autoestima de uma pessoa, há momentos no decorrer da vida em que ela se fragiliza. E nesses momentos acatamos e executamos a mesma atitude descrita por Thomas Mann.

Muitas vezes para provar a nós mesmos que somos bons, agimos de maneira impulsiva e depois nos arrependemos. A culpa de nos sentirmos responsáveis pela falta de interesse do outro em nós é o que muitas vezes nos leva às aventuras carnais dissociadas do sentimento amoroso idealizado em relação à pessoa amada. E transar sem sentimentos quando se está envolvido com alguém – mesmo que platonicamente – dói. Todavia, essa dor está ligada mais à rejeição anterior do que à traição de valores que temos em nós mesmos. Até porque podemos mudar nossos valores e crenças de acordo com o que Noé convier.  Transar com amor ou transar sem amor são dois conceitos e valores que adquirimos (ou não) dentro de nós no decorrer da vida.

Já a rejeição, não tem jeito. Sofremos e ponto. Uns mais outros menos dependendo do que norteia o modo de ser e agir do indivíduo. Mergulhar nas aventuras da luxúria e carnais pode ser muito bom e satisfatório se dissociarmos esse delicioso ato de todos os conceitos e flashbacks relacionados á substituição de brechas sentimentais. Uma aventura carnal não cobre um vazio deixado por uma rejeição. Portanto, quem é o próximo para uma próxima aventura?

Bibliografia

MANN, Thomas. Tonio Kröger. Berlin: Fischer Verlag, 2007.

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