Falando a gente se entende

 

A língua é algo surpreendentemente rico e em constante transformação. A maneira de falar e o vocabulário usado dizem muito sobre as pessoas: classe social, nível educacional, nível cultural, etc.

Pensando-se nesse aspecto multifacetado do uso da língua tomemos como exemplo as seguintes situações de fala:

(a)    Um homem aparentando 35 anos de idade foi encontrado baleado e morto na noite de ontem.

(b)   Menina… Nem te conto. Um moço tão gato… Devia ter uns 30 anos. Apareceu com um tiro na noite de ontem. Um desperdício, tanto homem feio por aí, mataram o homem bonito.

(c)    É, mano. O cara deve ter sido vacilão. Tomou um teco na cara e virou presunto. Babaca, devia ter uns 30 anos, nem isso.

(d)   Aí o homem morreu. Depois ele levou um tiro. Não, não… ele levou o tiro. Daí ele morreu.

A questão que surge diante desses exemplos é: qual é a maneira certa de se falar? Resposta: todas essas maneiras. Estamos diante de estilos individuais de fala. O exemplo (a) é caracterizado pelo uso da norma culta. Provavelmente seria utilizado por jornalistas de televisão e jornais escritos. É esta norma culta a que deve ser ensinada nas escolas e que todos deveriam ter acesso.

O texto (b) provavelmente se ttrata de uma conversa entre duas vizinhas comentando o mesmo caso, assim como no texto (c) estamos diante de uma conversa entre dois adolescentes provavelmente acostumados com a linguagem do mundo do crime. Por fim, provavelmente crianças são os protagonistas da fala do trecho (d).

A verdade é que podemos falar dessa maneira se quisermos e não haverá problemas maiores desde que façamos isso dentro de situações que sejam permitidas. Vale sempre aquela velha ameaça que os pais nos faziam quando crianças: “Olha a boca…. Você não está falando com seu amiguinho da escola, sou seu pai! Sou sua mãe!” O mesmo se aplica nessas situações descritas. Não vou falar no meu trabalho da mesma forma que falo com os amigos da balada na ferveção.

O ponto mais importante e que conclui este texto é: não importa como você fala e sim em que ambiente você fala. Quanto maior o seu domínio da norma culta, maiores são as suas chances de  obter colocações profissionais melhores em uma sociedade que preza tanto a aparência. Antes de ser um profissional competente em qualquer área de atuação, o que vem à tona primeiramente é o linguajar do indivíduo.

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