De Mitos e Fábulas IV: Individuação e processo terapêutico

O processo de “cura”, de acordo com Jung, vem através do processo de Individuação.

Mas esse processo não é rápido, obviamente, nem segue um caminho só. Cada um acaba por reconhecer o seu, e assim, se individualiza, se torna único. Se torna “si mesmo”.

Somos todos amalgamas de tudo o que nos ocorreu, de experiências boas e ruins, de vivências em trabalho, daquilo que aprendemos (academicamente ou através dos gostos que vamos formando), daquilo que sabemos, daquilo que sentimos.

Mas claro, há TRAÇOS da personalidade que são mais aflorados que outros. Temos partes em nós que sobressaltam, que ficam evidentes para aqueles que convivem conosco, ou partilham de nossa presença, seja no trabalho ou em grupos aos quais pertençamos.

Sim, eles estavam aí o tempo todo, só você não viu… #pittyfeelings

Esses traços formam os arquétipos que seguimos. E todos eles podem ser analisados através dos mitos. Num exemplo simples, uma pessoa orgulhosa pode claramente se ver no mito grego de Narciso, enxergando que existe o que é externo, e que a desconexão com esse externo pode ser danosa, tanto quanto a visão apenas de si mesmo. Sem contar que, na visão de si, interna, pode causar a morte do Ego. Não somente de uma forma negativa (a morte do ego é algo muito perigoso para a psique de uma forma geral), mas, exatamente como no mito, em que o corpo de Narciso dá lugar à uma das mais lindas flores, sem contar que aquele Ego egoísta, orgulhoso e destrutivo deixa de existir, dando lugar a outro Ego, reconstituído e em nova forma.

 

Narciso nem se ligou na Eco pagando pau…

A própria busca pela individuação, pode ser analisada no mito do Minotauro. O Labirinto, mais especificamente, onde seguimos por caminhos tortuosos, até chegar ao centro, onde fica o Minotauro (nesse caso, o centro do Ego, podendo ser compreendido como o “monstro” que nos apavora, nos limita, nos devora). O terapeuta, nesse exemplo, faz o papel do “Fio de Ariadne”, para que o paciente não se perca no caminho, e que tenha condições de superar/vencer o monstro interno.

 

O terapeuta lhe auxilia a encontrar o caminho. O Minotauro está no final da sua jornada, mas sempre à espreita. Mas a luta, meu amigo, é SUA.

Somos praticamente uma “colcha de retalhos” de arquétipos, de mitos, de estórias e folclores. Cada um “monta” uma combinação deles, de acordo com a necessidade. A tal necessidade não se expressa numa “falsidade de conveniência”, mas daquilo que mostramos ao mundo por uma necessidade de nos colocarmos nele; afinal, somos PARTE do mundo, e a sensação de exclusão é danosa em todos os sentidos.

Aquela própria posição de “Não me importo com o mundo” ou “Não me importo com o que pensam de mim” em si constitui um arquétipo, o do Anti-herói. Que é aquele que quer fazer parte, mas não se atem a conveniências. Num exemplo claro, pense em Wolverine. Ele bebe, fuma, tem uma estória de vida EXCESSIVAMENTE sofrida, ele não segue muitas normas sociais. Mas em inúmeras sagas ou estórias alternativas dos X-Men, é sempre ele que se sacrifica pelo bem maior. A necessidade de fazer parte de todo um contexto existia nele desde sempre.

 

Você esqueceu de dizer que sou um exemplo perfeito da luta entre o Id e Superego… Melhor que eu, só o Hulk”

A Individuação em si é um processo de autoconhecimento, de saber o que se faz e por que se faz. Sabendo onde estão nossos erros, entender porque os cometemos, e entendendo, corrigimos, e temos uma vida melhor, em vários sentidos.

 

“Uma diminuição da hipocrisia e um aumento do autoconhecimento só podem resultar numa maior consideração para com o próximo, pois somos facilmente levados a transferir para os nossos semelhantes a falta de respeito e a violência que praticamos contra nossa própria natureza.” (Jung)

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