Fullmetal Alchemist: Brotherhood e a Culpa

Sou fã de animes a um longo tempo, e vez por outra, acabo me deparando com alguns que podem ser elevados a categoria de obra de arte. Outros, são estórias magníficas, que usam de expedientes fantásticos para criar tensão e suspense. E ainda alguns, conseguem juntar tudo isso, e se tornam obras-primas. Um deles, que falo hoje, é exatamente Fullmetal Alchemist: Brotherhood.

Não, não é uma continuação. Como acontece muito com animes que vem de mangás de sucesso, um anime é produzido quase que concomitantemente com o mangá. Mas, como os tempos de produção são bem diferentes, muitas vezes um anime avança em poucos capítulos o que se levou meses para ser publicado no mangá. E como a produção do mangá tende a paradas inesperadas, por quaisquer razões, muitas vezes a equipe do anime segue a estória em frente, criando aquilo que é chamado no jargão otaku de filler. (Do inglês: fill = preencher) Então, muitas vezes, e não por incompetência ou má-vontade, mas a equipe acaba seguindo por caminhos estranhos, ou coisas acontecem no anime que não tem nada a ver com o mangá. Isso explicado, é o que ouve com o anime original de Fullmetal Alchemist. Depois de um ponto, seguiu-se como filler, até o final, pois o mangá ainda não havia terminado.

Tempos depois, foi feita uma nova série, fiel ao mangá. Essa é Fullmetal Alchemist: Brotherhood.

Cadê minha pedra filosofal?

A estória versa sobre dois irmãos Edward e Alphonse Elric, que desde crianças estudavam alquimia (alchemist), cujo pai os abandonou quando eram bem novos, e a mãe faleceu pouco tempo depois. Como já utilizavam a alquimia para pequenos “truques”, resolveram estudar mais a fundo, para tentar trazer a mãe de volta à vida. Mas nada deu certo. E foi trágico: Edward perdeu uma perna, e Alphonse seu corpo inteiro. Para manter a alma do irmão, Edward sacrifica também o braço direito.

E assim começa…

Para ambos, daí pra frente (claro, ambos tem um período de luto MUITO pesado), tudo se torna uma luta para reaverem seus corpos. A determinação de ambos beira o sobre-humano. Lembrando que Edward tem 15 anos, e Alphonse, 14.

E o que move essa determinação, o que os move pra continuarem a seguir em frente, mesmo com tanto no passado?

A própria CULPA.

A “volta aos corpos” é também uma metáfora para “corrigir” os erros. Fazer as coisas voltarem ao que eram antes, antes dos erros, antes dos problemas. Mas como sempre, a jornada até isso, até a reconstrução de si mesmos, e do mundo ao redor, muito trabalho, não apenas mental, ou físico, mas emocional é necessário. Ambos, e todos os personagens envolvidos vão tendo suas vidas transformadas (“transmutadas”, usando o termo alquímico, que dá tom à tudo na série), e vão se tornando mais fortes, mais capazes, mais poderosos, enfim. Não apenas no tocante aos poderes alquímicos, mas se vê neles, de forma gritante, a transmutação alquímica. A transformação de chumbo em ouro.

Amigos, familia, amores… Não são esses os nosso maiores tesouros? 

Eles, como qualquer ser humano, erram. Várias vezes. E a culpa continua empurrando eles em frente. Até o final apoteótico, dramático e de uma beleza indescritível (confesso, me arranca lágrimas toda vez que assisto), que não vou contar para não estragar a vontade de quem queira ver.

Mas recomendo assistir os 64 episódios dessa série fantástica. Não apenas pela qualidade gráfica (excelente), sonora (a trilha é nada menos que ESPETACULAR) e de pesquisa feita pelos criadores da série. Mas porque é uma estória um tanto quanto reveladora, sobre nós mesmos, nossos limites, e até onde podemos chegar. E que há coisas que simplesmente não devemos fazer, não porque o ser humano deva ser limitado em seus desejos, mas porque alcançá-los, em alguns casos, pode trazer mais dor que qualquer outra coisa. Limites foram feitos pra serem quebrados, concordo. Mas certos limites, não devem ser ultrapassados. Para seu próprio bem.

 

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