O Lado Negro II: Os pecados(?) capitais e a pulsão de vida

Você é mau. Aceite.

Existe maldade dentro de você. Você já pensou em destruir uma pessoa. Você já pensou em ter dinheiro só pra você. Você já desejou alguém por mera atração física (o que é perfeitamente aceito nos dias de hoje), você já quis algo que outra pessoa tinha, e sofreu por isso. Você já se sentiu superior a todos os que estão a sua volta, por uma vitória (até mesmo merecida). Você já quis passar o dia deitado na cama, sem fazer nada. Você já sentiu vontade de não parar mais de comer determinadas coisas.

Meninas, vou lhes mostrar a minha “virtude”….

Nessa pequena lista, você já cometeu todos os 7 pecados capitais. Ira, Avareza, Luxúria, Inveja, Orgulho, Preguiça e Gula. Sua alma está condenada…

Ou não.

Os chamados Pecados Capitais na verdade tratam de pulsões da vida. Coisas que nos fazem humanos, coisas que fazem a gente se sentir vivo. Em primeira instância, nenhuma delas poderia destruir você. Mas se você souber lidar com elas. Se houver (a palavrinha mágica:) EQUILÍBRIO.

No caso da Ira: é natural sentir raiva, ódio. Somos expostos a violência, somos expostos a situações constrangedoras, humilhantes, degradantes. Isso provoca uma reação em nós, de não aceitar algo que não é bom de ser sentido. E é mesmo natural sentir desejo/necessidade de extravasar isso. Tomar uma bronca do chefe e querer abrir seu abdome, arrancar o fígado de dentro dele com ele vivo e gritando, e devorar o mesmo cru frente aos olhos estarrecidos do mesmo, quem nunca? Mas sabemos que tal ato levaria a todo tipo de problema (a começar pela indigestão por comer um fígado humano cru). Sentir a raiva já não é algo que faça algum bem. Mas se soubermos lidar com isso, de uma forma sadia, como praticar esportes, especialmente lutas, a coisa muda de figura. Você consegue extravasar a agressividade, a ira, mas num ambiente controlado, num ambiente seguro, e onde, obviamente, você vai ter a necessidade de também se defender, mas aquele ser humano que te ataca, não quer seu mal. Ele está ali fazendo o mesmo que você. A “energia” da ira se dissipa. A agressividade se esvai.

A Avareza pode ser contornada através da conscientização que o dinheiro (ou “posses” emocionais, e até mesmo espirituais) podem lhe ser tiradas, quando você menos esperar. A Luxúria, através de um uso consciente da sua energia criativa. A Inveja, na compreensão que nada vem de graça, ou por acaso, e que cada um tem o que lhe compete. O Orgulho, no entendimento de que apesar das diferenças, somos todos iguais. A Preguiça, percebendo que tudo vem através do trabalho/esforço. E sabendo que os desejos devem ser sim, saciados, mas os apetites exagerados podem desgraçar sua saúde, lhe faz imune à Gula.

Mas este não é um “Guia para ser um bom cristão”.

Comporte-se, ou você vai pra lá…. *brinks

Como dizia, todos os chamados pecados são pulsões de vida. Você se torna violento (irado) por uma necessidade, por algo que usamos muito no dia de hoje, que é a força para “lutar”. Lutar pelo que você quer, pelo que você acredita. Você controla seus gastos, pro dinheiro não faltar. Você sente desejo (e o desejo sexual nem sempre escolhe alguém com quem você possa ter algo) porque isso faz parte, você tem hormônios, e você é um ser desejante. A Inveja pode não ser ruim, quando te leva a buscar POR SI MESMO aquilo que o outro também tem; faz mal quando você não quer que o outro tenha. O Orgulho pode ser confundido com o Amor Próprio, que é benéfico. Você não é de ferro, você não é invencível, você tem limites: isso não te faz preguiçoso. Você só precisa de descanso, como qualquer ser humano. E comer algo que você goste, é um prazer, e prazer é bom. Só quando não é em excesso.

Ou seja… Quando existe EQUILÍBRIO nos atos, não há problema. Diziam os antigos IN MEDIO STAT VIRTUUS (“A virtude está no equilíbrio”). E o próprio Cristo diz que “O Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17:21).

E os Taoístas já sabem disso há séculos… Yin e Yang.

Os excessos fazem parte do que somos; é natural errarmos. Claro, a busca deve ser sempre pelo melhor, pra nós mesmos e pra aqueles que nos rodeiam. Mas ninguém pode ser incriminado ou sofrer preconceito por isso: é isso que nos faz humanos. É isso que nos faz diferentes uns dos outros. É isso que nos faz únicos.

Senão, seríamos meramente uma massa homogênea. E isso seria tão chato…

 

É isso que você quer?

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