1984 – 2013

O ano se renovou, sobrevivemos a mais um fim do mundo furado, aos trânsitos nas estradas, e a mais um rombo bancário.

Todos bem? Vamos lá!

No longínquo ano de 1949, George Orwell publicou um livro chamado “1984”.

1984- capa atual

É difícil resumir esse livro em poucas linhas sem deixá-lo vago, mas eu vou tentar. O livro conta a história de Winston, um homem que vive num continente chamado Oceânia, trabalha num lugar chamado Ministério da Verdade, e vive sob os olhos do Grande Irmão.  O Grande Irmão é a figura que representa um partido totalitário chamado Partido, que controla tudo e todos nesse continente. Controla as notícias, controla o povo (através do modo de falar, pela televisão (eles assistem o que o povo faz, enquanto o povo assiste às propagandas do partido)), controla o que o povo pensa (pensa assim, é um regime ditatorial, como no Brasil na década de 70. Se alguém era suspeito ou denunciado por exprimir uma ideia (por menor que fosse) que fosse contra os ideais do partido, a pessoa era assassinada, torturada, ou ambos desaparecia). Todo esse controle gera um povo que confia plenamente e cegamente no que o Estado diz, e não tem memória.  Só que Winston é diferente. Ele tem memória, ele lembra das coisas. Tanto que ele vive no livro a nostalgia da liberdade, visitando antiquários, cultivando um diário e tendo pensamento próprio, o que faz com que ele se torne e se identifique como um revolucionário.  (deu pra entender um pouco? Quer saber mais, compra o livro! Se você for preguiçoso, veja o filme… mas o livro é mais legal)

Basicamente, somos uma sociedade de Grandes Irmãos, controlados por um Grande Irmão maior ainda.  Já jogou The Sims? Pois é….

Nós hoje estamos inseridos em uma sociedade onde a liberdade de ação e expressão é completamente controlada por um sistema que não sabemos quem controla, mas continuamos alimentando. Somos constantemente monitorados por câmeras (de tráfego, dos nossos celulares, tablets, notebooks – quem disse que eles não são monitorados? [SERÁ?]), damos informações sobre nossas vidas, costumes, o que pensamos, o que vestimos, o que comemos, como falamos.  Existe uma necessidade (criada não se sabe como e/ou quando) de compartilhar fatos cotidianos das nossas vidas com completos estranhos. Fatos esses que antes seriam considerados irrelevantes, mas que hoje se tornaram o ápice do convívio social. Se você não compartilha, você é excluído.  E nem foi necessário utilizar a força para que isso acontecesse. É como se fôssemos macacos enjaulados em um grande laboratório, e os cientistas nos dessem pincéis, e vissem o que fazemos com eles.

Uma coisa que eu acho o ápice do controle sobre o controlado é aquele programa de televisão que vem para nos alegrar no período de janeiro a março (só que não)  chamado Big Brother. Não é por uma mera coincidência que o programa tem esse nome. Pessoas são submetidas a um confinamento, e monitoradas 24/7 por uma população que controla quem fica e quem sai, quem ganha e quem perde. Quem é favorito, quem não é.  É nesse ponto que vemos todas as hierarquias de controle, com um denominador comum: o canal de televisão coloca as pessoas em confinamento para serem “controladas” por uma população (os espectadores), que é controlada pelo canal de televisão. Ou você acha que a edição de um programa de televisão não é feita para manipular a informação passada e formar opinião?

E vale dizer que a população tem apenas a ilusão do controle. Quem controla a população, na verdade, são os confinados dentro da casa. Que são controlados pela emissora.
diabólico…

 

Vivemos em um grande 1984, mas (ainda) sem as grandes penalizações por pensar diferente , sem a obrigação de sermos todos uma grande massa disforme alienada que acredita em tudo. Ainda existe a possibilidade da grande maioria abrir os olhos e parar de aceitar tudo, parar de ser controlado por uma esfera maior pega todo o lixo e enfia goela abaixo da maioria. Basta querer. Basta ir contra o senso comum, e aguentar as consequências que, no final, não são tão ruins assim.

One thought on “1984 – 2013

  1. Gosto muito do prefácio desse livro. Li acho que umas 10 vezes, é emocionante.
    Mas quanto a essas consequências, bem, acho que não é tão simples assim. Mas isso é outra história.🙂

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