No candomblé é assim…. ( segundo série da Globo)

Esta semana foi apresentada pela Rede Globo a minissérie “O canto da Sereia”. O espaço da trama é a Bahia, mais precisamente, a cidade de Salvador. A trama gira em torno do assassinato da personagem-título e dentre os lugares, personagens e cenas comuns aparece o trio elétrico, a pobreza das regiões mais periféricas da cidade, o mar, a corrupção de governo em vésperas de carnaval, músicas de Caetano e Gal Costa e o candomblé.

O ponto que quero destacar nada tem a ver com a série em si, mas, como uma citação do personagem que desvenda o mistério. Ele tece o seguinte comentário sobre o candomblé após mentir que uma personagem mãe-de-santo teria queimado um diário escrito por Sereia, diário esse que valeria muito dinheiro no futuro: “o candomblé é assim: só dinheiro e poder que tem valor”.

Muitas pessoas buscam religiões como o candomblé na esperança de  conseguir dinheiro, amores, vinganças, curar-se de uma enfermidade, entre outras coisas através de oferendas e de trabalhos (vulgarmente chamado de macumbas) a entidades, espíritos, enfim.

Associar dinheiro à religião não é privilégio de religiões que pedem oferendas. Igrejas de várias correntes e filosofias pedem dinheiro através do dízimo, através de doações. Afinal, não vamos ser hipócritas: sem dinheiro não se constroem templos, nem se compra velas e materiais utilizados nos rituais e cerimônias.

Porém, a sentença não foi dita dentro de um contexto específico. O personagem mesmo queimou o suposto diário, pôs a culpa na mãe-de-santo e a fala dele sobre o candomblé ficou solta, no ar. É como quem diz coisas preconceituosas no nível baixo do tipo: “mulher não sabe dirigir”, “pobre correndo é ladrão e rico correndo é atleta”.

Uma pessoa de mente mais aberta e acostumada a buscar informações,  provavelmente não compraria essa ideia do personagem. Se não ficasse no mínimo indignada com tamanha besteira, no mínimo perguntaria um “como assim? É isso mesmo o que eu ouvi?”

Todavia, uma pessoa que não tem o hábito de pensar, de compreender novas ideias diferentes das suas, ou menos instruída compraria a ideia e sairia dizendo por aí: “Eu não disse que macumba não presta? Até a TV falou”.

Informações e verdades sempre dependerão da óptica de quem vê, dependerão de quem consegue vender melhor uma ideia (mesmon que seja uma ideia falsa.) Se quem não aguenta com a mandinga, não carrega o patuá; é sempre bom frisar que devemos tomar cuidado com o que dissemos. Porque as palavras ditas trazem consequências e não é preciso nenhum trabalho, despacho ou ritos para saber disso.

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