“Deixe pra morrer quando estiver morto…” Quando Nietzsche Chorou (2007)

Quando li pela primeira vez o livro “Quando Nietzsche Chorou”, tive um momento “é-por-isso-que-eu-amo-psicologia”. Irvin D. Yalom conseguiu retratar com uma delicadeza e conhecimento de causa como pode ter sido o nascimento da psicanálise, constrói personagens de uma forma magnífica e consegue te manter preso ao enredo, ainda que passeie por temas espinhosos como a própria filosofia e estudos primordiais da psique, sem ficar chato ou piegas.

Sabendo como são adaptações para o cinema, assisti (mais de uma vez) ao filme homônimo (Imdb).

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Bem, como é óbvio, a adaptação perde MUITO do livro. Não porque “a linguagem é diferente”, mas porque se perde muita coisa da estória, mesmo. Claro, há diálogos no livro que ficariam impraticáveis durante o filme. Mas certas cenas, especialmente as que retratam os sonhos de Breuer, beiram o tosco. E não é um tosco legal. É um tosco “aprendi-agora-a-usar-programas-de-edição-na-faculdade-de-cinema”. E a atuação de Ben Cross (Josef Breuer) é tão exageradamente teatral, que chega a ficar patético, em determinados momentos.

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“Desculpa aí, Ben, mas você manda muito mal….”

Mas o devido reconhecimento deve ser dado a Armand Assante (como Nietzsche), que atua MAGISTRALMENTE, e deveria receber um prêmio. E não apenas por segurar o filme sozinho. A cena em que ele “rege” uma orquestra imaginária e declara seu amor/ódio a Richard Wagner, é algo espetacular. A must see. Sem contar a própria caracterização, perfeita, e a maneira como você acaba realmente crendo que aquele é Nietzsche, e não um ator.

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“Ah, Wagner… Você corrompeu a música…”

A estória gira em torno de um encontro (presumidamente) fictício entre Nietzsche (que se você não sabe quem é, procure um professor; ou vá ler um livro que não seja 50 Tons de Cinza, for God’s sake) e Josef Breuer, médico vienense, foi um dos primeiros a estudar a histeria, e foi professor e amigo íntimo de ninguém menos que Sigmund Freud. Sim, AQUELE Freud.

tFMAYNietzsche era egomaníaco e idólatra de si mesmo #prontofalei

É fato que Nietzsche sofria de enxaquecas terríveis, e após deixar a faculdade da Basiléia, onde lecionava, viajou por quase toda a Europa (na verdade, o leste europeu e algumas regiões mais quentes, como o Sul da Itália) à procura de médicos que pudessem ajudá-lo.

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“Mano, era cruel… Eu vomitava, gritava, batia a cabeça na parede… Por anos!”

Irvin D. Yalom pega justamente esse gancho e o liga à Breuer (que era já um médico bastante conhecido), e assim se desenrola toda a estória.

As discussões de ambos acerca da Vontade, do Poder, (Vontade de Poder, uma das premissas da teoria de Nietzsche, como a Lei do Eterno Retorno, também presente no filme e no livro) e a insignificância do ser humano, o medo da morte, a necessidade da vida, o Valor que se dá ou não a aquilo que se tem; todas elas chegam ao nível do sublime. No livro. Mas o filme, em vários momentos, dá o gostinho de “quero-mais”. E se der esse gostinho em você, leia o livro. Garanto que não haverão arrependimentos.

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E essas paradas rolaram pouco antes de eu escrever “Assim Falou Zaratustra”

E as conversas entre Breuer e Freud, mostrando como a Psicanálise foi nascendo… Ah, isso já vale toda a estória. Se você gosta de Psicologia, é claro.

Nietzsche, Freud e Breuer

Nietzsche, Freud e Breuer… (no filme são mais apresentáveis, né?)

Mas acima de tudo, como ser humano, vale a pena ler o livro, ou ver o filme, como preliminar.

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Chora nego… Faz bem pra alma… 🙂

Tio Edu recomenda.😉

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