Uns fé demais, outros fé de menos…

Há, hoje em dia, e diriam alguns, nessas épocas de “Modernidade”, o constante desejo de suprir um determinado vazio existencial.

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O preço da modernidade e da liberdade…

Vazio esse não existente em tempos mais antigos, onde a Religião como forma de dominação determinava ao ser humano o seu lugar no mundo, o que deveria fazer, no que trabalhar, etc.

Tomando como exemplo o Panteísmo Órfico (a religião grega nos tempos antigos), você não se apaixonava por alguém porque enxergava naquele alguém algo de você, ou algo com o que você se identificasse, ou qualidades que você admirasse. Eles compreendiam que era simplesmente porque Cupido (ou Eros) havia escolhido aquelas duas pessoas e as flechado. E ninguém questionava isso. Apenas aceitavam que assim era a vida.

CUPIDO, ANJO DO AMOR

Era ELE que fazia seus olhos brilharem em noite de lua serena…

Com a Modernidade, e todos os seus conceitos, e toda a sua Liberdade, fez com que o Homem tirasse os olhos do céu e os voltasse para dentro.

O Homem “Moderno” não crê, ou é levado a não crer, por determinados conceitos científicos. Como Deus não pode ser provado cientificamente, é refutado.

Mas o próprio conceito de CONHECIMENTO nos diz que, apesar de estar em um nível grandemente abstrato, o conhecimento teológico é parte do Conhecimento Humano. Faz parte da experiência humana. Por sinal, se observa que nenhum povo, em momento algum da História da civilização humana, foi desde sua origem, ateísta.

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É algo que faz parte do ser humano. A crença, ainda que não num Ser Supremo, mas em qualquer conceito de “ALGO” superior, é inerente. Até mesmo determinados cientistas radicais que pregam a Religião como mera “bobagem”, tem mesmo a crença na Ciência em si. Crença essa, que em si, carece de uma base forte; afinal, a Ciência é mutável. Aquilo que se diz hoje, amanhã pode ser refutado. Não que a Ciência seja fraca, muito pelo contrário; vários conceitos errôneos, inclusive no que se refere à própria religião e infinitos assuntos, foram desfeitos e deram lugar a outros. Que por sua vez também foram refutados. E assim se segue.

Cabe aí, uma visão de que a Existência e a Vida em si são mutáveis. E de vários ângulos, são mesmo. Porém, para que essas mudanças ocorram, e ainda para que haja coesão no Universo, é necessária uma base concreta. E a Ciência mesmo não fornece essa base. Claro, ponto discutível, porém não menos passível de se notar. E nisso chegamos numa discussão filosófica teoricamente infinita. E que não é nosso objetivo.

Sigmund Freud, pai da psicanálise, médico neurologista por formação, dizia que a crença em uma Força Superior, qualquer que fosse ela, era sinal de uma carência afetiva advinda de problemas na infância. Pessoas que tem Fé em Deus seriam pessoas que não tiveram uma infância cercada de carinho ou afeto dos pais, e acabam por buscar Deus para suprir essa afetividade não satisfeita. E por isso mesmo, nesta linha de trabalho psicológico, procura se manter Deus “do lado de fora”. Até mesmo porque o trabalho terapêutico em si é uma busca de e por si mesmo, e não do externo. Em MUITOS casos, a Religião pode (e acaba sempre sendo) ser uma ferramenta poderosíssima para ajudar a pessoa a encontrar seu caminho, a deixar o que passou pra trás, a se estabilizar e seguir em frente. Mas como dito, é uma ferramenta; a pessoa a busca se quiser. E em alguns casos, a própria terapia o leva a isso.

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Você crê em Deus porque seus pais não te amaram o suficiente…

Não existe (ou ao menos não deveria existir) uma dissociação do trabalho terapêutico com a religião ou a fé. Ambos são ferramentas para que a pessoa em questão encontre-se, busque-se. Salvo, é claro, nos casos onde a própria religião é um problema em si, como nos casos de fanatismo levado às ultimas conseqüências.

Mas a Ciência Psicológica não pode “jogar fora” a Religião, a Fé (aqui significando também Esperança) ou a Tradição religiosa. Citando Pedro Luiz Ribeiro de Santi no livro “A Crítica ao Eu na Modernidade”: “Entre os autores que tratam a Modernidade, a negação sistemática da autoridade que a tradição pretendia ter é um tema recorrente. A desvinculação de todas as amarras aos grupos de pertinência e da própria ordem familiar, não é de se estranhar que este indivíduo livre passe a sofrer de falta de sentido para a sua vida”.

Relembrando Einstein, “A Ciência sem a Religião é manca; a Religião sem a Ciência é cega”.

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