A cerimônia do Oscar (ou “Como tudo começou”)

Acho que escolhi bem a data de minha estreia no blog. Meio que sem querer, mas no fundo sabendo que seria relacionada ao cinema. O dia seguinte à cerimônia tão comentada de entrega de um dos mais famosos prêmios de cinema é um bom momento para comentá-la e falar sobre os diversos filmes que me encantam. Ou não. Posso apenas explicar quem eu sou e como vim a gostar tanto de cinema. De qualquer maneira eu não saberia pontuar o dia em que assisti a um filme pela primeira vez, mas lembro-me bem das madrugadas assistindo à entrega de prêmios na era pré-Internet, quando só quem havia assistido sabia quem tinha ganhado. É isso mesmo, não havia como checar as notícias pelo celular logo ao acordar (celular?). Bem, eu não sou assim tão velha, mas tenho lembranças de datas que podem auxiliar qualquer leitor a fazer contas. Assim, vamos à história da minha vida através dos musicais – e vale dizer que, para uma fã do gênero, a noite de ontem deixou muito a desejar…

Lembro-me claramente da primeira vez que assisti ao adorável “A Noviça Rebelde” (The Sound of Music, 1965). Na extinta rede Manchete. Eu tinha mais ou menos a idade da Marta, mas queria mesmo era ser Liesl. Depois que cresci é que percebi que ser criança é que nos dá o direito de falar mais besteira sem ser julgada. O segundo musical que me lembro ter assistido naquela mesma época foi Tommy (1975). Em video cassete. Eu fiquei intrigada e queria muito saber jogar pinball. Nunca aprendi. Voltei, então, ao romance com Amor, sublime amor (West Side Story, 1961). Resolvi pesquisar Shakespeare na enciclopédia de casa. E tentei aprender as coreografias. Mas elas só funcionavam em grupo. É muito frustrante. Em seguida, tentei Cantando na chuva (Singin’ in the rain, 1952) e tudo ficou mais fácil, a vida ficou cor de rosa, as coreografias eram possíveis – tirando o sofá, nunca consegui fazer aquilo. Adoro tomar chuva até hoje, canto, danço, mas nunca fui parada por nenhum guarda. Considerada louca, talvez. Mas parada nunca. Acho que as pessoas têm medo das outras hoje em dia. Na cidade grande, pelo menos.

Depois disso vieram os musicais de Fred Astaire, de Gene Kelly e um dos filmes de que mais tenho saudades – ele ainda não faz parte da minha coleção – Lili (1953), com a linda Leslie Caron e a campeã de casamentos, Zsa Zsa Gabor. Eu nem sei se as pessoas consideram este um musical, mas me lembro tão bem da música tema que não dá para categorizar de outra forma. Foi mais ou menos por aí que aprendi a importância de muitas coisas na vida com O mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939). E preciso dizer que Wicked é um dos meus musicais favoritos. Às vezes, penso que sou verde por dentro…

Foi aí que a década de 90 e a famosa “sessão da tarde” trouxeram o que hoje assistimos apenas pelo prazer nostálgico: Grease (1978), Fame (1980), Flashdance (1983), Footloose (1984), Dirty Dancing (1987). Bem, o último eu assisto também porque ainda acho que um dia vou fazer a coreografia final. Acho que meu pai nesta época quis me mostrar que a vida não é só bonitinha e que as pessoas às vezes cantam por obrigação ou porque estão tristes. Ele me apresentou a Cabaret (1972) e eu me apaixonei por Bob Fosse. Um dos meus filmes favoritos é All that jazz (1972). Acho que se Fosse estivesse vivo para filmar Chicago (2002) tudo teria sido diferente… Por falar em diretores, Baz Luhrmann influenciou (e como) minha escolha pela dança de salão, com o coloridíssimo Vem Dançar Comigo (Strictly Ballroom, 1992). Só gostaria de ter aprendido a dançar paso doble… A gente aproveita cada segundo e ainda assim falta tempo para aprender tudo.

Um dos únicos musicais a que assisti no cinema é um dos que mais gosto, mas também a verdadeira razão pela qual minha irmã nunca mais aceita ir ao cinema comigo: Dançando no Escuro (Dancer in the Dark, 2000). E acho que qualquer pessoa que tenha assistido a este filme está pouco se importando se Jennifer Lawrence caiu, se Daniel Day-Lewis merece os três Oscar que tem ou se estes deveriam ser dados a americanos. O mundo é muito mais injusto que isto, tem muito mais por aí. Assim, follow the yellow brick road e, se assim desejar, faça como Billy Elliot (2000) e ignore os que lhe pedem para andar normalmente. Dance. Nossa vida é, sim, um musical, mas cada um de nós tem sua própria trilha sonora… Até a próxima segunda!

 

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