De mitos e fábulas II: o outro lado (reeditado e expandido)

A viagem pra dentro de si, buscando-se em mitos e lendas, as vezes, pode ser dolorosa. Entender-se ou encontrar-se fazendo algo que efetivamente estraga a sua vida, e você nem notava, é algo BEM desagradável.

Mas também, o caminho não é destruir o que há de “desagradável” em nós. Jung (mais uma vez…) e Freud sabiam que o caminho é, na verdade, a INTEGRAÇÃO dos conteúdos internos que temos. Ninguém é essencialmente MAU, nem tampouco essencialmente BOM. Somos amálgamas de coisas boas e ruins, que foram feitas pra nós, por nós e de nós mesmos. Conceito tão bem expresso no Yin-Yang Oriental.

Aliás, no Oriente (o “outro lado” do título), as mesmas coisas se repetem. Heróis, vilões, trindades, divindades, deuses, etc. Em especial, na cultura hindu bramanista. Brahma não é meramente uma marca de cerveja (e reza uma lenda que, quando o Brasil iniciou diplomacia com a Índia;  ouve um mal estar geral, pois era ofensivo pra eles ver o nome de seu Deus supremo numa garrafa de cerveja, sendo que eles são, em geral, abstêmios também). Brahma, Vishnu e Shiva, a trindade brâmane. Pai, Filho e Espírito Santo?Hello?

trinity-brahma-vishnu-and-shiva-HA21_l

Precisa falar mais?

E os arquétipos se repetem lá também? Oh sim!

Os heróis, os messias. Os tricksters* (Ganesha, hindu, originalmente era um trickster), os Hare* (Krishna; o próprio Buda), os Red Horn* (o próprio Krishna; Buda; Ramayana; Arjuna, do Baghavad Gita) e os Twins*.

*NOTA: os termos trickster, Hare, Red Horn e Twins vem de um estudo de Jung, com base no ciclo heróico dos Winnebagos, tribo indígena norte-americana. Ele usou como terminologia para o estudo dos arquétipos, mais à frente.

 Chefe Winnebago…. Sim, foram desses caras aí…

Nada se cria, tudo se copia… Mas isso foi acontecendo em diferentes momentos, sem que houvesse contato entre essas culturas.

Na biografia “Memórias, Sonhos, Reflexões”, Jung conta como começou a pensar nisso tudo. Ele tinha um paciente, um camponês austríaco, iletrado, ignorante, que estava internado na sua clínica, em Burgholzli. Certa tarde, levando esse paciente numa cadeira de rodas para o banho de sol, ambos sentiram uma leve brisa. O paciente lhe diz: “Sabe o que é o vento?” e Jung responde “Não… O que é o vento?”.

“O vento ocorre porque o Sol fica balançando seu falo para um lado e para o outro.” Naquele momento, Jung pensou que era apenas mais um devaneio do paciente psiquiátrico. Mas anos mais tarde, enquanto conversava com um xamã da tribo dos Pueblos (outra tribo norte-americana), que tinha um culto/religião tendo o Sol como deus supremo, o tal xamã, sentindo uma brisa fresca naquela tarde quente, lhe diz “Sabe o que é o vento?”.

Jung apenas esperou pela resposta… “É o nosso Pai Sol, balançando seu falo para um lado e para o outro”. Mera coincidência? Aquele camponês jamais havia lido um livro sequer na vida, nem mesmo saído de sua aldeia natal. E outro povo, do outro lado do mundo, repetia sua estória.

Sim, vai ter mais…

Ah, velhinho… O quanto você me faz pensar…😀

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s